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Ana Luiza Rovielo: por que articulação é a principal habilidade de quem faz produto

Entrevista com Ana Luiza Rovielo, Head de Produto na Serasa: articulação como habilidade central, rituais de time, gambiarras de validação e sua maior falha.

Por Arthur Castro

**Product Hero** é a série em que bato um papo com heróis e heroínas que ajudam a criar produtos no Brasil e no mundo. Comecei em 2016 e, até esta edição, já eram quase 50 entrevistas. ![Product Hero: entrevista com Ana Luiza Rovielo](https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c29287f9-1a22-4c65-a479-673a26d5f6df_1920x1080.png) ## Quem é Ana Luiza Rovielo Ana é de Mococa, no interior de São Paulo. Formou-se em Engenharia Ambiental na UNESP e, durante o curso, foi escolhida pela universidade para ser a representante da faculdade no Congresso Latino-Americano de Pesquisadores. Como a maioria das pessoas engenheiras, foi rapidamente "abduzida" pelo mercado financeiro e iniciou sua carreira no Itaú, passando por áreas de planejamento estratégico, expansão internacional e produtos de crédito nos canais digitais. Depois assumiu um desafio gigante tocando a plataforma Limpa Nome, na Serasa. Algum tempo depois, querendo entender melhor os desafios de uma early stage, migrou para a Lemon, uma startup de energia verde com foco em geração distribuída, que certamente será um case de empresa decácornío brasileira — vale ler [Abrindo a Cozinha: como a Lemon cria produtos](https://arthurcastro.substack.com/p/abrindo-a-cozinha-como-a-lemon-constroi-produto), sobre estrutura, cerimônias e processos. E, como bom filho a casa torna, voltou para a Serasa, agora como Head de Produto, para tocar a frente de novos mercados e produtos para SMBs. ## Como você virou uma Product Manager? Acredito que uma certa paixão pela multidisciplinaridade sempre esteve presente no meu dia a dia e na profissão que escolhi seguir. Talvez já fosse uma semente desse espírito da disciplina de produto. Trabalhando com planejamento estratégico, era vital que eu tivesse um entendimento profundo do ciclo de vida, da rentabilização e das métricas-chave dos produtos. Mais tarde, estar em contato com os desafios de posicionar uma marca líder em mercados tão diferentes como Paraguai, Uruguai, Argentina e Colômbia ampliou meu olhar para a visão estratégica de uma maneira bastante profunda. Além de ser essencial entender contextos, entendi a importância de estabelecer uma conexão do curto prazo com a visão de futuro, para dar senso de propósito ao que estava sendo priorizado. Refletindo sobre os próximos passos da minha carreira, recebi o desafio de um mentor e amigo, o Gui Seabra, de conhecer e estudar sobre a carreira de Product Management, que estava começando a ganhar as empresas mais hypadas do momento. Foi um clique: a conexão de tudo o que eu curtia fazer. Mesmo já estando em uma cadeira de produto, sentia que meu contexto ainda não me permitia aplicar plenamente todo aquele arsenal de ferramentas, frames e rotinas que eu via nos cases de outras empresas. Chamei um cara referência na área para trocar figurinha e, para ele, talvez fosse só uma óbvia constatação. Para mim veio como um desafio de aceitar o novo. Sem imaginar o impacto que teria na minha carreira e na minha vida, brinco que um café e uma frase do Arthur Castro ajustaram minha jornada para a que tenho trilhado até hoje, super realizada. ## Como você explica seu trabalho para pessoas normais (como avós, amigos…)? Esta é a resposta que mais gosto de ouvir dos PMs. Depois de várias tentativas — grande parte das vezes sem efetividade —, tento trazer para a prática: > "Fala um produto que você usa bastante. Qualquer um, pode ser uma roupa, um aplicativo, uma comida. Este produto, como você conheceu ele? Ele chega até você como você gostaria? O preço dele é compatível com o que você pagaria pelo valor que vê nele? Tem coisas nele que não te fariam trocar pela outra marca? Quando usa, sente que é entregue com qualidade para você?" Provavelmente a execução de tantas frentes (produção, logística, embalagem…) não foi feita por uma única pessoa. Mas, para garantir que todos esses fatores te façam continuar comprando esse produto, existe o papel de um time de produto que planeja, projeta, garante a entrega e a estratégia por trás desse produto. ## Gerenciamento de produtos em um tweet > Planejar, comunicar com clareza a visão e inspirar à ação, estabelecendo relações de autonomia, senso de dono e comprometimento. ## Na sua opinião, qual é a principal habilidade de uma pessoa de produto? **Articulação. Exercitar esta habilidade parece simples, mas exige um grande trabalho "invisível".** Exige estabelecer uma escuta ativa com seus stakeholders para entender a melhor forma de mobilizá-los, e trabalhar a leitura de cenários para entender como as prioridades se conectam. Por fim, exige que você também busque clareza da visão e do propósito, que acaba atuando como um argumento infalível para conectar e mobilizar as pessoas. ## Qual é a sua rotina como pessoa de produto? Rotinas e rituais são extremamente particulares do contexto de organização, maturidade e produto. De todas as vivências com que tive contato, vejo que, independentemente do ritual, é extremamente importante estabelecer uma roti

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