Product Arena

Product Arena

Claude Design: o que muda para designers e para times de produto

Análise do Claude Design, da Anthropic: velocidade de prototipação, fidelidade às referências, o risco para o designer júnior e os limites da ferramenta.

Por Arthur Castro

Existem lançamentos que mudam a régua de uma profissão inteira. O Replit fez isso com sites e sistemas. O ChatGPT fez isso com texto. A conversa que tivemos depois de testar o **Claude Design**, o novo produto da Anthropic, girou em torno de uma pergunta desconfortável: é um produto para designers ou um produto para reduzir a necessidade de designers? Para discutir isso, eu e o Aíquis chamamos o **Vitor Ferrara**, designer há mais de 13 anos, que passou por Itaú e iFood e hoje trabalha para empresas no exterior. [![Assista ao episódio no YouTube](https://img.youtube.com/vi/jIqof3cKSxM/maxresdefault.jpg)](https://youtu.be/jIqof3cKSxM) ![](https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/97028ffa-4402-449c-a2e8-48a298efecca_1006x468.png) ## Um momento ChatGPT, agora para design O Vitor abriu o papo com uma palavra: surpreendente. Ele não esperava que o Claude Design usasse design system tão bem quanto usou. E chegou à mesma comparação que eu tinha anotado sem combinar com ele: o Claude Design é o tipo de produto que marca uma era de uma profissão. O ponto que uniu as impressões de todo mundo foi a **fidelidade às referências**. O Aíquis trouxe o caso de dois designers comparando o Claude Design com o Lovable, recebendo exatamente o mesmo prompt e o mesmo set de referências. Os dois entregaram um resultado utilizável, mas o Claude Design foi muito mais fiel às referências, com mais esforço e atenção aos detalhes. E o que mais impressiona não é só a qualidade: é a velocidade. Eu dei pouquíssimo contexto nos meus testes e, em 15 minutos, tinha uma primeira versão usável de um deck da Arena transformado em design system funcional. > Um designer mediano levaria horas ou dias para chegar no mesmo ponto. ## Para quem é o Claude Design? Essa foi a pergunta mais quente da conversa, e a gente divergiu bonito. O Vitor vê como um produto para designer, para quem passa seis horas por dia no Figma. Eu discordei: para mim é um produto para todo mundo **menos** designer. O Aíquis ficou no meio, achando que é para quem tem taste, independentemente da função. > "Eu não tenho referência. Eu sei como é a minha empresa, sei como são as coisas, eu não tenho negócio pronto, mas eu quero outro negócio padronizado. Toma aqui o que eu tenho de referência e monta aí alguma coisa." Meu argumento é que, na prática, quem mais se beneficia é a pessoa de produto, de marketing, de comercial — quem precisa de um wireframe, um slide, um protótipo rápido, mas não tem designer dedicado para isso. O Vitor contra-argumentou: sem um designer como piloto, você fica limitado aos padrões de design que já existem no mundo, sem aquela referência não óbvia que vem de um rádio de pilha, de uma referência física, da lua. Nessa linha, ele fez uma analogia com o Airbnb *(designers sempre usam o Airbnb como referência, né?)*: > o seletor redondo do Airbnb para escolher meses de estadia. Poderia ser dropdown, poderia ser input de texto, mas escolheram o dial porque um designer olhou para fora da tela e quis diferenciar. O Aíquis ancorou bem a discussão: é sobre a pessoa com taste no loop, seja designer, PM ou engenheiro. Quem tem repertório para trazer referências diferentes e combiná-las de um jeito novo. Criatividade é mixagem de referências que outras pessoas não pensaram em juntar. ## Velocidade muda o cálculo da prototipação A parte do Claude Design que mais brilha, para mim e para o Aíquis, é a velocidade. Isso conecta direto com [a discussão sobre o texto do Ravi Mehta, de que a parte do ciclo de produto que mais muda com IA é a prototipação](https://arthurcastro.substack.com/p/o-fim-do-mvp-e-mudancas-no-ciclo-de-produto-papo-na-arena-podcast). > "Eu dei sei lá, umas 10 referências de sites diferentes. Cara, abrir o site, entender os elementos, o que diferencia cada um. É o trabalho de um dia para a pessoa só entender as referências. E ele cuspiu quatro opções de design em 10, 15 minutos." Antes, um designer competente limitava quantas opções explorava porque cada uma custava tempo. Agora você roda quatro versões em paralelo antes do primeiro café. Isso muda a pergunta: não é mais "qual caminho eu sigo", é "qual eu descarto primeiro". O Vitor confirmou a leitura dentro da empresa dele, e soltou uma frase dura: > *"isso daqui quebra a necessidade do Designer Jr."* O raciocínio: se um designer sênior com Claude Design consegue entregar o que antes precisava de três ou quatro juniores, o mercado de entrada na profissão se fecha. ## O que a IA ainda não faz sozinha Três limitações bateram na mesa. 1. **Memória.** Eu pedi uma coisa três vezes, ele disse que corrigiu, e eu precisei dar refresh na tela para ver. As inconsistências no meio do caminho ainda são chatas. 2. **Criatividade fora do domínio.** A IA reproduz padrões dos últimos 30 anos de interface web. Se você quer algo genuinamente novo, precisa de alguém olhando para fora desse dataset e trazendo referência externa — ou contando essas referências para a IA. 3. **Jornada completa.** O Vito

Voltar para todos os artigos