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Como C-levels estão usando IA de verdade: rotina, contratação e cultura

Júlia Jordão (Avra) e Artur Negrão (Salvy) contam como usam IA no dia a dia, o que perguntam em entrevistas e como espalham a cultura de IA na empresa.

Por Arthur Castro

A pergunta que está tirando o sono de muito executivo não é se a IA vai mudar a empresa, e sim o que exatamente os C-levels estão fazendo com ela no dia a dia — e o que isso muda na estrutura do negócio. ![Gravação do Papo na Arena no palco do Web Summit Rio](https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c30736eb-3cea-414b-bf90-6e53e7885146_4000x2667.jpeg) Para responder isso, chamei duas pessoas que estão na linha de frente: - **[Júlia Jordão](https://www.linkedin.com/in/julia-garone-jordao/)** — CPO da **[Avra](https://avra.ai/)**, companhia que construiu um foundation model preditivo capaz de prever o comportamento de CNPJs no Brasil. Deep tech de Vale do Silício sendo feita aqui. - **[Artur Negrão](https://www.linkedin.com/in/arturnegrao/)** — CEO e co-fundador da **[Salvy](https://salvy.com.br/)**, operadora de telefonia móvel que já simplifica a vida de mais de 10 mil empresas no Brasil. [![Assista ao episódio no YouTube](https://img.youtube.com/vi/WtVef7KaEwY/maxresdefault.jpg)](https://youtu.be/WtVef7KaEwY) ## O C-level virou IC (e isso não é moda) Comecei perguntando qual a coisa mais relevante que eles passaram a fazer com IA e que antes dependia de outras áreas. A resposta da Júlia foi reveladora: o back office inteiro da área de relacionamento da Avra hoje é automatizado, da ata de reunião à revisão de contrato, passando por proposta técnica e comercial. > *"Talvez a gente tenha deixado de fazer porque os nossos agentes estão fazendo pra gente."* No começo de 2026 eu previ que a gente ia ver mais C-levels virando IC, e logo depois a Elena Verna publicou aquele post que bombou sobre os HI-C. A gente gravou um episódio sobre isso: [![Assista ao episódio no YouTube](https://img.youtube.com/vi/9Wu16M9ZyxY/maxresdefault.jpg)](https://youtu.be/9Wu16M9ZyxY) No episódio do Web Summit, os dois confirmaram o movimento na pele. - A Júlia quis virar individual contributor **de propósito**, pra viver a era da IA, poder dar o exemplo e subir a barra do time. Hoje ela tem duas pessoas reportando direto. Já teve 20. - O Artur Negrão trouxe o dado que mais me marcou: a Salvy está com 40 pessoas, o time dobrou no último ano, mas a receita cresceu oito vezes. O descolamento que todo founder sonha. > "Eu sempre achei que o Brasil valoriza pouco o contribuidor individual como um caminho de carreira bem-sucedido. Tô muito feliz de ver isso ficar mais comum e acessível." O ponto não é cortar gente. É que as pessoas que já estão dentro de casa conseguem atender escopos cada vez maiores, e lideranças novas chegam com capacidade de contribuição individual além da gestão. O Artur Negrão deu o exemplo de fechar o contábil "tipo no GitHub", um sonho antigo de quem é mais técnico. ![Júlia Jordão e Artur Negrão durante a conversa](https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/a40625f9-30dd-4df7-b5db-79a5913620d3_4000x2667.jpeg) ## Como saber se a pessoa sabe mesmo usar IA A barra pra fazer baixou, mas ficou mais difícil identificar quem de fato sabe fazer. Já falei em outros episódios que boas perguntas de entrevista são: - "Quais ferramentas de IA você está pagando?" - "Me conta e mostra aí o stack do que você automatizou nas últimas semanas." A Júlia trouxe o conceito do Scott Galloway: > *"A nova skill mais importante nessa era de IA é ter agency" (capacidade de agir)* O conhecimento e as ferramentas estão todos à disposição. O que separa é a iniciativa de sentar e construir. Pra ela, uma pessoa que tem uma iniciativa de IA dentro de uma empresa enorme que nem incentivou isso já mostra o que importa. O Artur Negrão leva pro lado da curiosidade, que é um dos princípios da Salvy: > "A gente é curioso por padrão." A tática dele em entrevista é perguntar: > Qual foi a última notícia ou a última ferramenta de IA que você viu ou usou? Isso ajuda a perceber não só se a pessoa usou, mas o quanto ela está acompanhando as coisas mudarem. Como sempre digo: curiosidade, pensamento crítico e agency seguem sendo as habilidades que vão continuar humanas por um bom tempo. ## O deploy de IA na cultura (sem ser top-down) ![O papo sobre como espalhar o uso de IA por toda a empresa](https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/18a8dcad-01ce-4e6b-bfee-21c8948d436b_4000x2667.jpeg) Quando virei a conversa pra como espalhar isso pela empresa inteira, os dois descreveram playbooks quase idênticos. A Júlia resumiu em três movimentos: - **Licença paga pra todo mundo.** "Faz muita diferença na performance. Todo mundo que tem decisão de orçamento deveria fazer esse investimento." - **Skills de contexto públicos.** Qualquer pessoa com licença na Avra tem contexto sobre business, founders, tudo, pra construir consultando essas skills. - **Um canal no Slack chamado AI Projects.** Quem lança algo novo posta lá, e os projetos vão pro GitHub público. Não vira top-down, vira inspiração: a pessoa vê o que o colega fez e descobre com quem tirar dúvida. > "Você tem a licença, você tem os skills. Só depende da pessoa de fa

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