Product Arena
Como Itaú e iFood colocam IA no processo seletivo de PMs e designers
O que a AI já automatiza numa contratação, o que ela nunca vai filtrar e os erros que quase todo candidato comete.
Por Arthur Castro
Candidatos usam AI pra montar o case. Recrutadores usam AI pra avaliar. No fim, sobrou para os humanos o papel de interface entre robôs conversando entre si. É nesse cenário que Itaú e iFood estão redesenhando seus processos seletivos para produto e design. Quem trouxe o tema: - **[Felipe Marques](https://www.linkedin.com/in/felipe-marques0404/)**, Coordenador de atração e seleção no Itaú - **[Valéria Romano](https://www.linkedin.com/in/valeriaromanux/)**, Sr. Design Manager no iFood  ## Cultura é o filtro que AI não replica  Cultura vem antes de tudo. No Itaú, o Jeito Itaú de Produtar é um guarda-chuva que combina metodologia, ferramentas e topologia, mas com a cultura Ituber como raiz. No iFood, a Val trouxe o conceito de "conflitos produtivos": os fatos são brutais, as pessoas não. > Cultura você não tem como mentir, não tem como usar uma AI. As pessoas que vão se destacar são as que têm habilidades que elas não têm como colocar num agente. A Val contou que, quando trabalharam com a Prosus (investidora do iFood), os europeus estranhavam o jeitinho brasileiro de perguntar "como foi seu final de semana?" antes de qualquer reunião. Mas é exatamente esse traço cultural que torna o brasileiro criativo: dois mais dois não dá quatro, dá o que precisar dar. - O iFood opera com o conceito de "adultos responsáveis": dados abertos, confiança no time, autonomia real. - No Itaú, o processo busca pessoas que consigam navegar tecnologia, negócio e visão de cliente ao mesmo tempo. ## Claudinhos falando com Claudinhos A Val trouxe um ponto muito real nos dias de hoje: > Você pergunta negócio pra ela, ela joga no ChatGPT, te devolve. Aí você pega, joga no Claudinho de novo. Vira um monte de Claudinho falando com Claudinho. Só que os humanos são a interface. O Felipe complementou: o Itaú já está fazendo experimentos para aferir habilidade com AI dentro do processo seletivo. Ainda em fase de testes, mas o potencial é grande. A AI hoje entra mais na camada de automação (match de perfil, ranqueamento de currículos), ainda sem tomada de decisão. No iFood, estão testando um sistema novo (cujo nome a Val não pôde revelar) que filtra candidatos por cultura e fit, acelerando o pipeline sem perder qualidade. - RH tem potencial enorme de automação com AI, mas o mercado ainda está tímido. - A tomada de decisão continua humana. - Use AI como facilitadora no processo, não como muleta: a elaboração ainda é sua. ## O erro que quase todo candidato comete O Felipe trouxe uma provocação forte: as pessoas não se empoderam da própria carreira. Chegam na entrevista com anos de experiência, mas quando perguntam "me conta da sua trajetória", ficam bambeando. > Se a entrevista fosse legal, todo mundo faria terapia. A gente parte de um lugar de ser analisado. A Val completou com um sinal sutil que ela observa: como a pessoa assume responsabilidade ao contar suas histórias. Se começa a apontar culpados ("o time de produto não trazia os dados", "ninguém definia os KPIs"), é bandeira vermelha. No iFood, ninguém te diz o que fazer — você precisa ter autonomia pra resolver. Outros erros clássicos: - **Portfólio desatualizado** (meme eterno do design, mas acontece de verdade). - **Levar a solução antes do problema**: case de sucesso não é só o que deu certo, é o aprendizado do que deu errado. - **Parar na primeira barreira com AI**: joga no Claudinho, recebe o resultado e pronto. Cadê o próximo passo? Uma pergunta sutil que eu faço em entrevistas: "quais ferramentas você paga?". Porque na versão free você bate num teto. Se a pessoa investe, está explorando de verdade. ## Profissional largo > profissional longo O Felipe fechou com um conceito que ficou na minha cabeça: a diferença entre profissional longo (5, 10, 15 anos de carreira) e profissional largo (muitas experiências densas num curto espaço de tempo). Na era digital, tem gente com um ou dois anos que é mais parruda que profissional de dez. > Para você se tornar um profissional largo, é importante estar muito antenado com o que o mercado traz. Ouvir podcasts e se aprofundar no mundo da sua especialidade. A Val reforçou: > Saia da sua bolha. Designers, parem de falar só com designers. Ela contou que, no agente Ailo, mesmo sendo designer, foi até o time de dados pedir pra explicarem a arquitetura. Não entendeu nada no primeiro momento, mas foi ali que as peças se encaixaram. - Nenhuma empresa espera uma pessoa 100% pronta pra cadeira. Contratam potencial. - Lifelong learning na prática: você estuda praticando, vivenciando. - Explore como criança: teste, erre, tudo bem. Faça sua autoterapia constante. - Esse é o melhor momento pra criar coisas.  ## Produtos da sema