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O Facebook não é só mais uma rede social: Messenger, vídeo e pagamentos

Como o Facebook deixou de ser feed para virar um guarda-chuva de produtos — Messenger, vídeo e pagamentos — e o que isso dizia sobre a estratégia da empresa.

Por Arthur Castro

Quando o Facebook anunciou a compra do WhatsApp, você não via outra coisa na timeline. Na época, para tentar explicar um pouco melhor o movimento, escrevi sobre algumas das coisas que estavam acontecendo. Aí 2015 chegou e o Tio Zuck anunciou uma lista nova: a separação definitiva do aplicativo do Messenger — e não foi apenas separar, foi transformá-lo em uma plataforma —, a possibilidade de realizar transferências por ele, o Messenger Business, o aplicativo de vídeos colaborativos e uma porção de melhorias e novas possibilidades em vídeo, plugins e afins. ![](https://cdn-images-1.medium.com/max/800/1*BqA4TZI11gct7POnRsLz-Q.png) Antes de analisar o que o *Uncle Zuck* postou, pense um pouco e diga: quais são os aplicativos que você mais usa no seu smartphone? Provavelmente WhatsApp, Facebook, Messenger e Instagram vão estar entre eles, se não todos. ## Fotos hoje, vídeo amanhã O conteúdo mais compartilhado no Facebook hoje são fotos — e nem preciso lembrar que o Facebook comprou o Instagram anos atrás, antecipando essa tendência. Vídeos serão a próxima onda. Se você ainda não ouviu falar de Meerkat, Periscope ou do fenômeno dos broadcast jockeys na Coreia do Sul, é só dar uma googlada. Procure também o Riff, app do próprio Facebook para vídeos colaborativos. Sem contar todas as iniciativas relacionadas a vídeo, como o Facebook Audience Network e a compra da LiveRail, plataforma de anúncios para publishers de vídeo à qual o Tio Zuck deu uma pegada mobile. Falando em realidade virtual, a conturbada compra do Oculus Rift começa a fazer cada vez mais sentido. Antecipar-se a tendências é uma coisa que o Facebook sabe fazer bem. Além disso, aplicá-las em fases para os usuários também: foi assim com vídeos no Instagram, com a mudança de layout, com vídeos no Facebook, com vídeos rodando automaticamente. ## O Messenger vira plataforma (e pode virar meio de pagamento) Na F8, conferência realizada anualmente pelo Facebook, foram anunciadas as novas possibilidades do Messenger, que está se tornando uma plataforma. O Messenger Business tem tudo para ser o novo queridinho do CRM nas empresas: um contato mais pessoal, mais instantâneo, em um mundo cada vez mais mobile e exigente, faz todo sentido. Mas ele tem tudo para ser muito mais. Pode ser apenas coincidência, mas, já que será possível fazer transações entre usuários do Messenger, por que não ser o elo entre empresa e cliente para agilizar os pagamentos? Acredito que a liberação de cada coisa para o seu nicho — transações para os usuários, contato e informações via Messenger Business para as empresas — é justamente para educar e preparar os usuários, e depois anunciar uma *"atualização no SDK"* que permita realizar pagamentos também pelo Business. Para pequenas empresas, o quão interessante seria isso? A galera que vende suas bugigangas pelo *inxta* iria adorar. E para os grupos de trocas e vendas do próprio Facebook, as coisas ficariam muito mais práticas. ## Os bancos estão distraídos E, sinceramente, acho que os bancos estão se preocupando pouco com esse *boom* de payments nos serviços de mensagens, como Facebook, Snapchat e Line. Se demoro 10 minutos e tenho que abrir 10 janelas para conseguir pagar uma conta, e nesses apps preciso digitar um cifrão, qual tende a ser mais usado? Aquela frase merece ser citada de novo: antecipar tendências. Fotos, vídeos, payments… qual será a próxima? A estratégia de "tornar o mundo mais aberto e conectado" fica cada vez mais clara, seja dentro do Facebook, seja através de algum outro app que ele comprou ou vai comprar.

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