Product Arena
Factfulness, de Hans Rosling: sete instintos que atrapalham a decisão em produto
Resenha de Factfulness, de Hans Rosling, sob a ótica de produto: sete instintos que distorcem a leitura de dados e como usá-los para decidir com mais critério.
Por Carol Pilon
A **Biblioteca da Pilon** é a série em que resenho livros trazendo as relações com produto, carreira e liderança. Na [primeira edição](https://arthurcastro.substack.com/p/biblioteca-da-pilon-01-bibliografia-elon-musk), o livro foi a biografia de Elon Musk. Agora vim dividir com vocês um pouco dos meus aprendizados quanto ao *Factfulness*, sempre tentando trazer o paralelo que enxergo com produto.  É um livro de Hans Rosling, médico sueco e acadêmico, que usava dados e estatísticas para demonstrar que o mundo está melhorando em muitos aspectos, apesar das percepções negativas (eu sei, polêmico, mas vem comigo). O livro utiliza estatísticas públicas compiladas pelo Banco Mundial e pelas Nações Unidas para abordar, de uma forma bastante didática e visual, a **ideia de que muitas das percepções que temos sobre o mundo estão erradas e são baseadas em informações desatualizadas ou preconceitos**. Na época, foi muito bem recebido pela crítica e chegou a ser distribuído gratuitamente em universidades americanas. > **Disclaimer:** polêmico porque questiona muito as visões de mundo que temos hoje, incluindo pautas sensíveis como pobreza, fome, educação e saúde. Aqui não entraremos no mérito de críticas geopolíticas e sociais: vamos focar o aprendizado nos ganhos de atuação em produto. Para conclusões pessoais, reservo o direito de cada um à leitura completa do livro, que é FANTÁSTICO, do meu ponto de vista. Bora lá, com o convite do autor: > *"Se você estiver mais interessado em estar certo do que em continuar a viver na sua bolha; se estiver disposto a mudar sua visão de mundo; se estiver pronto para substituir reações instintivas por pensamentos críticos; e se estiver se sentindo humilde, curioso e pronto para se maravilhar, então por favor continue a leitura."* **Ficha técnica** - 360 páginas | Editora Record - Data da publicação: 29 de julho de 2019 - [Link na Amazon](https://amzn.to/4eAWcQq)  ## Antes de tudo, um teste Para começar, responda a estas perguntas, extraídas do livro. As respostas estão no fim do texto. **1. Nos últimos 20 anos, a proporção da população mundial vivendo em extrema pobreza:** a) quase dobrou b) ficou mais ou menos igual c) caiu quase pela metade **2. Quantas pessoas no mundo têm algum acesso a eletricidade:** a) 20% b) 50% c) 80% **3. Ao longo dos últimos cem anos, o que ocorreu com o número de mortes anuais decorrentes de desastres naturais?** a) Mais que dobrou b) Permaneceu mais ou menos igual c) Caiu para menos da metade ## Por que erramos tanto **O curioso é que, independente do nível de instrução, a maioria errou a maioria das respostas.** Por exemplo, havia um senso comum de maior entendimento na área de mudanças climáticas do que em áreas econômicas e sociais. > *"Não é uma questão de inteligência. O ponto é que todos parecem compreender o mundo de uma maneira devastadoramente equivocada. Não apenas devastadoramente, mas sistematicamente equivocada."* O que ele quer dizer com isso é que, estatisticamente, os resultados dos testes são piores do que se as respostas fossem completamente aleatórias, sem nenhum conhecimento fundamentado. Ou seja: existe um viés no desconhecimento. > *"Até mesmo logo após minhas palestras, ouvia gente expressando crenças sobre pobreza ou crescimento populacional que eu acabara de desmentir com fatos. Fiquei muito perto de desistir. Por que essa visão de mundo era tão persistente? A culpada seria a mídia? Naturalmente, pensei sobre isso. Mas essa não era a resposta."* E aqui inicia-se a tese do livro: o principal fator para nos enganarmos em nossas conclusões está relacionado à forma como **o nosso cérebro funciona e ao fato de querermos extrair conclusões rápidas das situações, muitas vezes sem muita ponderação.** Faço um paralelo rápido com um livraço, [*Rápido e Devagar*, do Daniel Kahneman](https://amzn.to/4ci0OJL) (ainda vou falar dele aqui). Se pudéssemos dividir nosso cérebro em duas partes, teríamos: - **Sistema 1** — intuitivo, rápido e ansioso. - **Sistema 2** — inteligente, preguiçoso e cognitivo. Entendo "zero" de neurologia, mas a teoria aqui é que, como humanos, sempre **vamos tentar o caminho mais rápido para poupar energia** — e, em determinadas situações, é aí que mora a cilada. E é aí que entra o agrupamento desses vieses que o autor traz, chamados no livro de **"instintos"**. Esses instintos são apresentados como barreiras à compreensão precisa do mundo, e o autor oferece estratégias para superá-los, promovendo uma visão mais baseada em dados e realista da realidade global. Separei alguns para falarmos: - Instinto de lacuna ou separação - Instinto da negatividade - Instinto do medo - Instinto do tamanho - Instinto da perspec