Product Arena
Gabriel Breves: "não se cria produto com base em achismo"
Entrevista com Gabriel Breves, Group Product Manager na TC: como virou PM, sua rotina, o fracasso do Mutt e dicas para quem quer começar em gestão de produtos.
Por Arthur Castro
Seis meses de desenvolvimento para descobrir que ninguém queria aquilo. É a história que Gabriel Breves conta como sua maior falha — e a origem da regra que ele repete desde então: não se cria produto com base em achismo, mesmo quando o achismo vem do CEO. **Product Hero** é a série em que entrevistamos heróis e heroínas que ajudam a criar produtos incríveis no Brasil e no mundo.  ## Quem é Gabriel Breves Breves é de Volta Redonda, interior do Rio de Janeiro. Se formou em marketing e começou a jornada produteira em uma consultoria de marketing, criando alguns produtos que deram bem errado e o ajudaram a aprender um monte. Depois disso, passou por Stone e PicPay, e hoje é Group Product Manager na [TC](https://tc.com.br), auxiliando a tribo de "Novos usuários", responsável por introduzir o usuário em uma jornada de investimentos — seja ele com conhecimento alto ou inexistente. Além disso, é um dos hosts e fundador do [Papo de Produto](https://open.spotify.com/show/6deUaOxztKmZZFE97FzhFg), um dos podcasts mais escutados do Spotify na categoria Tech.  ## Como você virou Product Manager? Foi absolutamente do nada. Eu tinha acabado de vender um empreendimento (talvez possamos dizer que fiz um exit) e, nesse período, conheci o dono de uma empresa que trabalhava com marketing e estava criando uma área de consultoria de software. Por eu já ter sido gerente em outra empresa, ter formação em marketing e ter vendido uma empresa, esse cara achou que eu seria uma boa pessoa para ajudar a estruturar a área de produtos/projetos e ser o PM número 1. Foi uma oportunidade muito boa, pois tive que aprender do dia para a noite o que era daily, o que era kanban, refinamento e por aí vai. Tivemos muita autonomia para lidar com os dois produtos que atendemos, pois a empresa era sócia. Um deles foi um completo fracasso, mas, de uma forma egoísta, para mim foi muito bom: me ensinou muito que não se cria produto com base em achismo. ## Como você explica seu trabalho para pessoas normais (como avós, amigos…)? Ninguém entende nada, mas a gente sempre tenta, né? Costumo dizer que trabalho com aplicativos, e que cada um é um produto com inúmeros produtos dentro de si. Dou o exemplo simplista do Nubank e do PicPay, que são bem conhecidos: digo que eles são um produto, e que as funcionalidades lá dentro — cartão de crédito, empréstimo, extrato — são produtos que possuem times responsáveis por aquilo, olhando para como aquilo gera mais satisfação para os usuários e resulta em mais grana para a empresa. ## Gerenciamento de produto em um tweet > A gente não liga para produtos, a gente liga para que os nossos problemas sejam resolvidos por soluções inovadoras, baratas e práticas. Por isso existe a gestão de produtos nas empresas que consumimos ou cujo serviço utilizamos. ## Qual é sua rotina diária como Product Manager? Passo grande parte do tempo em ligações: com as pessoas product managers que trabalham comigo, com os stakeholders, com a diretoria e, obviamente, com nossos usuários. Uma das coisas que também fazem parte da minha rotina é acompanhar os dados dos produtos que estão sob a minha gestão, entender se possuem algum gap não mapeado, se tem alguma coisa alarmante. No meu dia a dia gosto muito de ter o controle das milhares de coisas que aparecem no decorrer do dia, por isso invisto meu tempo em tornar essas coisas tangíveis em um kanban pessoal, onde relato conversas, tarefas que preciso realizar e até memes que preciso enviar. ## Qual o momento do produto que você gerencia? Atualmente a nossa tribo é responsável por uma jornada, o que quer dizer que não temos o controle de uma área muito bem determinada ou de uma "caixa" sobre a qual possamos dizer: *"hey, este é o nosso produto"*. Além disso, ela é nova, tem apenas 2 meses de existência. Isso tudo acaba sendo um desafio muito legal, pois, além de ter muita expectativa, vejo muita oportunidade — hoje olhamos para um problema latente que ainda não estava sendo visto na empresa. E também traz alguns desafios, porque a empresa não estava acostumada a trabalhar dessa maneira, olhando o produto por jornada. Portanto, temos muitos alinhamentos a serem feitos para qualquer construção que formos realizar. ## Onde você busca inspiração? **Eu busco inspiração em pessoas.** Por já ter um pouco de prática e cara de pau, que o Papo de Produto me proporcionou, eu saio abordando pessoas que compartilham conteúdos interessantes, que palestram em eventos, para aprender mais e tirar as minhas dúvidas. Gosto muito de olhar para fora também: ambientes que possuem mais maturidade de produto, que possuem mais estrutura. Tento entender como fazem para fazer uma "gambiarra" e ver se encaixa no meu contexto. ## Qual seu tipo de Product Manager? Eu diria que **prático**. Como product ma