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Giovanna Claro: "Só de fazer o feijão com arroz bem feito já é entregar algo diferenciado"

Primeira edição da série Como criei?: Giovanna Claro conta como o eHeadset saiu do papel, os primeiros usuários e o que faria diferente.

Por Arthur Castro

"Como a empresa X começou?" "De onde veio a ideia?" "Como foram os primeiros usuários?" São as perguntas que mais aparecem quando alguém está pensando em tirar um produto do papel — e quase nunca têm resposta pública. Esta é a primeira edição da série **Como criei?**, em que quem construiu um produto do zero conta o caminho real, sem atalho narrativo. ![Como criei? A primeira edição da série é com a eHeadset](https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c70d5cbf-df5a-4626-8c76-e1eaf0fdb294_1920x1080.png) A estreia é com a **eHeadset**, empresa que busca ensinar inglês de uma forma diferente, usando como base os métodos ágeis e focada no público de tecnologia. Desde 2020 eles têm ajudado mais de **500 brasileiros em 10 países diferentes** a perderem o medo de falar inglês. A cada 45 dias o aluno tem uma conversa com uma pessoa que fala inglês e zero de português, e depois um review desse papo com a teacher sobre o que está bom e o que pode melhorar. ![A eHeadset ensina inglês com base em métodos ágeis](https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/971ff125-9f66-4e60-81cf-15d3f7a17d2f_1400x350.jpeg) Quem criou a eHeadset foi Giovanna Claro, fascinada por outras culturas. Ela já morou em **3 países**: - Aos 16 anos, nos Estados Unidos, onde se apaixonou pelo inglês; - Aos 21 anos, se desafiou e foi morar na China para aprender mandarim e viver algo diferente; - Depois, foi para Singapura, onde trabalhou em diversas multinacionais pelo mundo como PM (GE, KraftHeinz, Yara…) depois de se formar em Administração de Empresas e se especializar com um mestrado em Inovação. Três anos antes desta conversa, decidiu largar o mundo corporativo para realizar o sonho de empreender e ajudar mais adultos a atingir seus sonhos por meio do inglês. Foi quando criou a eHeadset. ## Como surgiu a ideia? Veio em 2019, pouco antes da pandemia, quando decidi aproveitar que estava trabalhando em Singapura para ingressar em um mestrado em Inovação fora do Brasil e dar um pontapé no grande sonho de um dia ter a minha própria empresa. Como sempre fui uma pessoa inquieta, que gosta de colocar as teorias em prática, aproveitei aquela oportunidade para aplicar toda a teoria que estava aprendendo no mestrado e que havia aprendido na prática nos mais de 10 anos de experiência trabalhando para grandes multinacionais, para inovar e endereçar algo que me incomodava havia muitos anos: **Por que tantos adultos que vão morar fora sentem MEDO de falar inglês, mesmo depois de vários anos de aulas de inglês no Brasil?** Toda inovação começa com um inconformismo ou uma paixão. No meu caso foi a junção dos dois. Estava inconformada com o ensino das escolas de inglês tradicionais e com a quantidade de pessoas que, mesmo depois de estudar vários anos de inglês, me procuravam pedindo dicas de como enfrentar o medo de falar inglês na vida real. Já minha paixão vinha de ajudar as pessoas a superar esse medo e a vivenciar novas culturas e perspectivas por meio do inglês. A partir disso, aplicando teorias inovadoras do mundo da tecnologia e me inspirando nos métodos ágeis de desenvolvimento de software, o método de uma escola de inglês inovadora foi criado: aí nasceu a eHeadset. Com aulas online de 45 minutos que cabem na rotina de qualquer adulto e que vão além dos livros, com provas da vida real com nativos a cada 45 dias, ajudando a enfrentar o medo por meio do reforço positivo — algo nunca antes testado nas escolas tradicionais. ## Como você colocou no ar? Acho que o erro que muita gente faz ao começar um negócio é **selecionar a tecnologia ou a ferramenta antes de ouvir o usuário** e antes de saber se, para endereçar aquela dor, é preciso mesmo endereçar o problema com tecnologia. No meu caso, acabei usando mais métodos do que tecnologia em si para criar e inovar no meu produto. Comecei pelo discovery, com entrevistas qualitativas individuais, o que foi chave para começar um produto bem focado no usuário. Resolvi ouvir as dores do potencial usuário antes de criar qualquer solução. E foi através de um processo de discovery bem estruturado que identifiquei as principais dores de um adulto que precisa aprender inglês. O grande pulo do gato foi convidar esses usuários a continuar o processo de criação da escola junto comigo: me ajudando a selecionar o primeiro professor, a avaliar se o método era algo que os ajudaria e, por fim, oferecendo o serviço no final. Foi assim que consegui meu primeiro usuário. E inclusive fiquei tão feliz que dei uma cambalhota para comemorar. Já o processo de crescimento e manutenção do produto foi realmente a aplicação dos métodos ágeis na veia, principalmente com 2 grandes princípios que me fizeram crescer nesse início: 1. **Colaboração com cliente:** envolvemos os primeiros clientes em todas as decisões que fazíamos sobre o produto nos primeiros 6 meses de operação. 2. **Responder a mudanças:** precisamos ajustar muito o que era a ideia inicial para o que era viável operacionalizar. Com um bom discovery

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