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Hooked Model: os quatro passos que transformam um app em hábito

Trigger, action, variable reward e investment: como o modelo de Nir Eyal explica por que você não consegue parar de abrir alguns aplicativos.

Por Arthur Castro

![](https://cdn-images-1.medium.com/max/1200/1*jE8Ky-wSM_zDcEvv6oAugA.jpeg) Finalizando mais um dia de expediente, você posta uma foto, guarda o celular no bolso e caminha em direção à saída. Esperando o elevador, qual é a primeira coisa que você faz? Pegar o celular novamente e conferir se já tem curtidas e comentários, para engajar e começar tudo de novo. Mas por que isso acontece? Grande parte dos apps que não conseguimos parar de usar são desenhados propositalmente para se tornarem "viciantes" e fazer com que fiquemos *scrollando* infinitamente, checando notificações, jogando mais fases de jogos e muito mais. E aí que entra o **Hooked Model**. Criado por Nir Eyal, ele ajuda a compreender o que está por trás da formação de hábitos através da tecnologia. São quatro princípios por trás desse conceito — *trigger, action, reward, investment* — que vão te ajudar a entender o motivo pelo qual você não fica sem olhar o Facebook por um dia, ou por que toca trocentas vezes no seu smartphone para ver se tem novas notificações ([e fazemos isso, em média, 2617 vezes por dia](http://www.networkworld.com/article/3092446/smartphones/we-touch-our-phones-2617-times-a-day-says-study.html)). ![](https://cdn-images-1.medium.com/max/800/1*rAJAtf0K4m-D7kaeO-DpQg.png) ## Trigger (o gatilho) O estágio inicial, a isca que ativa a vontade de fazer ou consumir algo. Existem dois tipos: os externos e os internos. **Triggers externos:** call to actions, título de e-mails, pessoas falando sobre algo, anúncios, propagandas e coisas do tipo. Normalmente, depois que um trigger interno é ativado, o externo "carimba". E na era da conectividade e dos smartphones, os gatilhos mais poderosos são push notifications e badges. ![](https://cdn-images-1.medium.com/max/800/1*aec_xyqNaNsLYywfMcPejg.jpeg) **Triggers internos:** quando atrelamos emoções (especialmente as negativas) ao que faremos logo em seguida. Por exemplo: - Se você se sente sozinho, abre o Facebook ou o Instagram; - Se não tem certeza de algo, abre o Google para tirar dúvidas. ## Action (ação) Do play em algum vídeo no YouTube ao swipe no Tinder ou ao scroll infinito na sua timeline do Facebook, essa etapa é a simples ação que antecipa a conquista (rewards). ## Variable rewards (recompensas variáveis) > "O incerto é fascinante" Se você entra em um app e vê a mesma coisa toda vez, provavelmente a experiência se tornará *bleh* e você não pensará duas vezes para deletá-lo se estiver precisando de espaço. Por incrível que pareça, a incerteza captura nossa atenção, foco e engajamento — e, obviamente, cria hábitos e nos deixa querendo mais. Nessa linha, existem três tipos: - **Tribes:** recompensas sociais como likes, views, comentários. - **Hunt:** a busca por recursos, comida, acordos, descontos e, nos dias atuais, principalmente informação. - **Self:** conquistas pessoais. Algo que nos motiva: alcançar a próxima fase de um jogo, terminar um livro, completar uma to-do list. ## Investment (investimento) ![](https://cdn-images-1.medium.com/max/800/1*b2SWRs_p8KUQ4GGfA83TgQ.png) Os investimentos que fazemos, seja de tempo, dinheiro ou esforço, são sempre em prol de algum benefício futuro. E na formação de hábitos não é diferente. Seja numa mensagem enviada ou numa foto postada, temos alguns tipos de investimento. **Activation trigger loop — investimento que "ativa" o próximo trigger.** Quando você manda uma mensagem no WhatsApp ou no Messenger, espera receber uma mensagem de volta — ou, pelo menos, saber se a pessoa leu. E aí você investe tempo esperando a resposta ou a confirmação de que a mensagem chegou. Para cada uma dessas coisas existe um trigger (push, badge vermelha no ícone do app ou o simples check na mensagem) que faz você voltar. **Increasing value — aumentando o valor e a importância dos produtos.** Uma coisa comum entre itens como cadeiras, sofás ou iPhones é que eles perdem valor com o tempo. Só que quanto mais fotos você tira, mais músicas escuta ou mais seguidores tem, mais você investe em cada uma das plataformas — e **mais valor** elas passam a ter para você. ## E aí? Entender a jornada do seu cliente ajuda muito a compreender (e aplicar) o Hooked Model. E, na maioria das vezes, até gera uma série de insights para novos triggers, actions, rewards e investments. Para saber mais sobre o Hooked Model, recomendo fortemente alguns conteúdos: - [Blog do Nir Eyal](http://www.nirandfar.com) - [Slides sobre o que é o Hooked Model](https://www.slideshare.net/nireyal/hooked-model)

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