Product Arena

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Horacio Soares: "não existem atalhos, verdades absolutas nem receitas infalíveis"

Entrevista com Horacio Soares: rotina começando pelos números, a falha de tirar o login do Hotel Urbano sem validar e por que acessibilidade é vantagem competitiva.

Por Arthur Castro

Quando alguém no Brasil fala sobre acessibilidade ou UX, o nome de Horacio Soares é unanimidade. Esta entrevista faz parte da série **Product Hero**, em que converso com pessoas que ajudam a criar produtos no Brasil e no mundo. ![](https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/07b9d013-6164-44a0-b74f-20150ead5163_2048x1356.jpeg) ## Quem é Horacio Soares Conheci o Horacio há muito tempo, quando ele foi meu professor de UX Mobile — antes mesmo de eu começar a trabalhar com mobile (é verdade!). Antes disso, eu já ouvia falar muito dele. Ele trabalhou como consultor, tocou muitos projetos de acessibilidade e UX, deu aula na FGV e em outras universidades, e também passou pela Videolog.tv. Em 2014 assumiu como Product Manager Mobile do Hotel Urbano e, desde 2016, é PM na [Gazeus Games](https://www.gazeus.com/pt/), a startup que constrói apps com mais de 5.000.000 de downloads. E, claro, é meu parceiro no Product Mobile Course. ![Horacio, ou apenas o Kelly Slater do skate…](https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c4210d42-3504-4f35-ade7-aeaa24e2805d_320x240.gif) ## Como você explica seu trabalho para pessoas normais? (como sua avó, por exemplo) Não é uma tarefa simples, mas eu tento: explico que parte do meu trabalho é ajudar a criar aplicativos mobile que sejam fáceis de usar e que entretenham ou facilitem a vida das pessoas. Só que preciso admitir que nem sempre elas entendem… :) ## Qual é a sua rotina matinal no trabalho como Product Manager? Antes de começar o dia, eu reviso as tarefas em andamento e verifico se apareceu algo novo que precise ser tratado, priorizado e eventualmente delegado. As primeiras horas são especiais e muito produtivas. Por isso tento chegar ao trabalho o mais cedo possível, para conseguir foco em resolver problemas, analisar os números, quebrar os épicos, escrever Job Stories, acompanhar a sprint e priorizar o que for necessário. Dedico a primeira hora a analisar os principais números dos apps, olhando com atenção para qualquer feature nova, melhoria, integração ou hotfix publicado recentemente. Assim consigo identificar oportunidades de melhoria e determinar se um app está estável e se uma implementação está funcionando como deveria, com os resultados desejados. ## Onde você busca inspiração? Minha principal inspiração vem das pessoas. É por isso que eu adoro observar, entrevistar e interagir com os usuários dos nossos produtos. Mas confesso que a dinâmica da vida corrida e a correria do dia a dia fazem com que o feedback dos usuários chegue com menos frequência do que deveria. Colocamos um OKR para implementar um processo que mude essa realidade no nosso Q1. Também gosto de observar as pessoas usando seus dispositivos móveis na rua, no metrô, no ônibus, na cafeteria e em outros lugares, públicos ou não. Às vezes me sinto uma espécie de voyeur — no bom sentido, se é que isso é possível. Já cheguei a abordar algumas pessoas e perguntar sobre a experiência delas com os apps. Quando explico que trabalho desenvolvendo aplicativos, elas ajudam. Tenho também o hábito de baixar todo tipo de app nas duas plataformas, principalmente jogos, e-commerce, viagens e serviços. E, para me manter atualizado, leio tudo o que consigo, participo de eventos, meetups, webinars e treinamentos. Uso e abuso do Twitter para acompanhar as tendências do mercado mobile, UX, design, produto, métricas, negócios e tecnologia: o que estão falando e o que estão fazendo. Também acompanho determinadas empresas de setores diferentes e participo de grupos no Slack. ## Qual é o seu tipo de Product Manager? O tipo que se preocupa com as pessoas e está sempre procurando maneiras de tornar cada experiência a melhor possível. ## Qual foi a sua maior falha? E o que você aprendeu com ela? Em 2014, quando me tornei Product Manager Mobile do Hotel Urbano, fiz uma avaliação dos apps deles e os achei extremamente intrusivos. Cada visitante era obrigado a criar uma conta só para acessar o e-commerce. Fazendo a analogia com o mundo real: como seria a experiência de um consumidor se ele tivesse que se identificar ou criar uma conta só para entrar na loja e ver o que estava à venda? Eu sabia que era importante identificar os usuários e conseguir o contato deles, mas acreditava que o login e o cadastro deveriam ser pedidos em um momento mais apropriado, oferecendo algo em troca. Como o app não era tagueado como deveria e os números gerados eram imprecisos, decidi seguir a intuição e remover o processo de login/criação de conta da abertura do app. Pouco depois, descobri que, embora os apps representassem só uma pequena parte da receita da empresa, eles eram responsáveis por uma parcela enorme das novas contas. O time de marketing trouxe esse fato à minha atenção com toda a sutileza. Dessa experiência eu aprendi: - Uma decisão sobre um produto não deve ser tomada antes de a hipótese ser devidamente validada. - O que funcionou no passado para a empresa A, em determinado contexto, provavelmente não vai funcion

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