Product Arena
Como pessoas de produto estão usando IA no dia a dia: voz, slash commands e workflows agênticos
O que mudou na stack de IA de três profissionais de produto: ditado por voz, slash commands, workflows agênticos, protótipos em produção e assistentes pessoais.
Por Arthur Castro
Oito meses depois de mapear pela primeira vez como cada um usava IA no trabalho ([essa foi a v1 da conversa](https://www.youtube.com/watch?v=sGIrHmJi4c0&t=2974s)), Arthur, Aíquis e Éfrem Maranhão voltaram ao mesmo assunto para responder uma pergunta simples: o que mudou na stack? Spoiler: muita coisa. De Custom GPTs a slash commands, de digitar a falar. O 80/20 do Éfrem continua valendo, mas os 20% ficaram muito mais acessíveis. [](https://youtu.be/oDe5TtY_zpA) ## Falar é mais legal que digitar Os três — inclusive o Éfrem, anti-áudio declarado — reconhecem que o speech-to-text mudou de forma fundamental como trabalham. Eu passei por uma situação outro dia: abri o computador num Uber, falei o que precisava com o Claude Code e fechei. O motorista achou que ele tinha sido grosso com alguém: "dia difícil, cara?". Levei uns bons minutos até perceber que ele achava que eu estava falando com uma pessoa. O Aíquis contou que, quando o Monologue ficou dez minutos fora do ar, ele travou. > "Eu ficava olhando pra tela e meio que uma paralisia de tipo, se eu não falar, eu não consigo trabalhar." Os números dele: 27 mil palavras nos últimos 30 dias, cinco horas economizadas, 98 palavras por minuto de média. O insight? Não precisa estruturar. Você fala desestruturado, muda de ideia no meio — e a IA organiza melhor do que você faria. - Eu uso [WisprFlow](https://wisprflow.ai/r?ARTHUR10), o Aíquis usa Monologue, ambos com atalhos de teclado dedicados. - O Éfrem é a exceção: prefere escrever para pensar, mas reconhece a potência. - Efeito de segunda ordem: o Aíquis trabalha dentro de um phone booth no escritório para poder falar à vontade — e a galera não achar que ele é maluco. ## De Custom GPTs para slash commands Eu era o grande defensor de Projects e Custom GPTs, e simplesmente parei de usar. Migrei para o combo Cursor + Claude Code. A reflexão: os Custom GPTs eram, no fundo, os workflows e comandos que agora existem nativamente nas ferramentas de coding. > "Se você parar para analisar bem friamente, os Custom GPTs são meio que os workflows e os comandos dentro do seu Claude Code, da IDE." A regra do 80/20 do Éfrem continua válida: 80% se resolve só com o chat direto, **mas os 20% que potencializam ficaram muito mais acessíveis.** Oito meses antes, era preciso entender API keys e o Playground da OpenAI. Hoje, Cursor e Claude Code entregam isso de forma mais amigável. Até o Notebook LM, meu queridinho, perdeu espaço — MCP e outras integrações cobriram os casos de uso. - O Aíquis foi além: criou prompts agnósticos à ferramenta, versionados no GitHub, prontos para Claude Code, Codex ou Gemini CLI. - Portabilidade virou preocupação central dos três: "hoje o Claude Code é o melhor, amanhã é o Codex, amanhã é o Gemini". - O Éfrem usa N8N para construção de agentes: a visualização facilita explicar para times não técnicos. ## O workflow agêntico de PM O Aíquis voltou de férias com uma meta para 2026: **tornar seu trabalho o mais agêntico possível.** Criou uma série de slash commands que compõem um pipeline completo de delivery: - `/iniciativa` — captura alto nível: o quê, por quê, pra quem - `/prd` — gera PRD focado em engenharia a partir da iniciativa - `/user-story` — quebra em user stories no formato do Jira - `/épico` — formata épico no padrão da empresa - `/tracking` — gera plano de tracking na taxonomia interna - `/pss` — prepara reunião de Problem Solving Sessions com a liderança > "Eu olho para o que eu produzi nas últimas duas semanas e é trabalho que eu teria produzido uns 20% a mais nesse período." Nenhum prompt foi criado do zero: ele transpôs templates que já usava. E usa compound engineering — feedback do chefe vira atualização no prompt para a próxima vez. Minha stack é similar: - `/task`: coisas que preciso fazer - `/log`: acontecimentos que rolaram no dia - `/notícia`: coisas que li, com minhas anotações - `/startmyday`: resumo de como foi o dia anterior, um "bom dia métricas" atualizado **O consenso: pensar em sistemas (input → output) é o que faz os comandos funcionarem.** ## Designers, protótipos em produção e OpenClaw Três temas rápidos que surgiram na conversa. **Protótipos que vão para produção.** O Aíquis botou um produto inteiro feito com vibe coding em produção na Hotmart. Centenas de acessos por dia, US$ 2 de custo até então. O 80% funcional foi rápido; os 20% de polish de design foram o trabalho de verdade. **Designers estão adotando IA?** Depende. O Aíquis vê o Figma Make como quebrador de resistências no time dele. Eu vejo o contrário: designers que descartam resultado porque "foi feito por IA". Parece o momento dos devs dois anos antes. **OpenClaw e assistentes pessoais.** Os três testaram, nenhum adotou. O Éfrem instalou, conectou o Telegram e desinstalou na hora — ficou com medo do acesso. A simplicidade da abordagem (só o terminal) é elegante, mas ninguém sentiu segurança suficiente. O Manus no Telegram d