Product Arena
O que a Covid-19 mudou em produto: cinco empresas contam o que fizeram
Pier, Hurb, Trinks, RD Drogasil e Impulso contam como a pandemia mexeu em roadmap, OKRs e rotina de time — e o que cada mercado esperava do pós-crise.
Por Arthur Castro
A 34ª edição do Product Arena aconteceu em abril de 2020 e, pela primeira vez, de forma online. Foram centenas de participantes de vários cantos do Brasil para discutir um assunto só: **os impactos em produto em tempos de Covid-19.** Cinco pessoas de cinco mercados diferentes — seguros, viagens, beleza, farmácia e tecnologia — contaram o que estava acontecendo dentro das suas empresas naquele momento. Eu mediei a conversa. Abaixo, o compilado.  ## Quem participou - **Aíquis Rodrigues**, Product Manager na Pier - **Claudia Mardegan**, Head of Design & Innovation na RD - [Fernando Bichara](https://www.linkedin.com/in/fernandobichara/), Founder & CTO na Trinks - **Jéssica Blando**, Product Manager na Hurb (Hotel Urbano) - [Sylvestre Mergulhão](https://www.linkedin.com/in/sylvestremergulhao/), CEO da Impulso ## Os impactos em números - Aumento de 40% no tempo médio de atendimento (Zendesk) - 20% do tempo médio nos smartphones (AppAnnie) - 40% de aumento de downloads na categoria Health & Fitness (AppAnnie) ## Impactos da Covid-19 em cada mercado **Pier (Aíquis Rodrigues):** a crise afeta de formas diferentes cada tipo de seguro. Seguros como vida e saúde têm crescimento, enquanto seguros de bens como carros e celulares passam a ser mais dispensáveis. **Hurb (Jéssica Blando):** o mercado de hotelaria foi profundamente afetado pela pandemia. No primeiro momento, porque os destinos das viagens de muitas pessoas estavam afetados. No segundo, porque as pessoas não podiam mais sair de casa e eventualmente as fronteiras foram fechadas. Então houve uma onda muito grande de cancelamentos, com condições especiais, e eventualmente hotéis e pousadas menores sofrendo mais com a falta de hóspedes. Se iniciou, por parte de todo o segmento de hotelaria, uma campanha para que as pessoas não cancelassem as suas viagens, mas sim remarcassem, e assim ajudassem o setor a passar por essa fase. **Trinks (Fernando Bichara):** o mercado da beleza é um dos grandes afetados pela crise, pela sua informalidade, pelo lockdown e pela demanda reduzida na crise e no pós-crise. A demanda por certos serviços é diretamente proporcional aos eventos e encontros sociais. Além disso, grande parte dos profissionais trabalha comissionada e como parceira dos salões (MEI), ou seja, com pouca ou nenhuma garantia quando não está realizando serviços. **RD Drogasil (Claudia Mardegan):** no segmento da saúde, todos têm acompanhado o impacto. Aqui na RD fizemos uma força-tarefa para poder atender todas as demandas. Começamos garantindo toda a base de operações, estoque, centro de distribuição e delivery. Estamos vivendo semanas iguais ou maiores que a Black Friday. Na primeira onda, todas as pessoas indo para as farmácias e estocando medicamentos. Na onda dois, as pessoas já não podiam ir para as ruas e começam um novo hábito de consumo, comprando pelo site e pelo app. Na parte corporativa também tivemos impacto, pois não trabalhávamos remotamente ainda. Colocamos mais de 1.300 funcionários em home office na primeira semana. **Impulso (Sylvestre Mergulhão):** muitas empresas postergando investimentos, renegociando contratos e prazos de pagamento. ## Impactos na rotina do dia a dia: reuniões, reports, cerimônias **Hurb (Jéssica Blando):** desde o dia 16 de março a empresa está trabalhando remotamente. Na área de TI e produto, especificamente, não afetou tanto a nossa rotina, já que tínhamos alguns funcionários trabalhando remotamente, o que implicava alguma rotina virtual. Mas para as outras áreas da empresa tem sido um aprendizado. O pessoal que já tinha o hábito de trabalhar remoto deu algumas dicas e compartilhou artigos com toda a empresa. E os resultados têm sido positivos, com boa comunicação, apesar de ainda estarmos tentando equilibrar com alguns times a questão das muitas reuniões ao longo do dia. **Trinks (Fernando Bichara):** uma loucura. Nossa empresa sempre gostou do calor humano e foi estruturada assim. Tivemos que nos adaptar, aprender e continuar aprendendo. A infraestrutura foi ajustada em um curto tempo e várias cerimônias foram criadas para manter o time perto, alinhado e engajado. Para dar uma ideia de proximidade do ambiente virtual com o real, usamos algumas ferramentas, como o Matrix, que ajudou (e ajuda). Além das reuniões normais do processo de desenvolvimento, aderimos a encontros diários e sempre em vídeo. Foi superimportante definir as ferramentas utilizadas para comunicação para cada necessidade: Slack para texto, Matrix para reuniões em grupo ou 1:1, voz e vídeo. **RD Drogasil (Claudia Mardegan):** foi criada uma war room diária com o C-level para conseguirmos tomar decisões mais rápidas. Compramos algumas ferramentas novas, mais colaborativas, como Miro, Figma e Zoom. Refizemos toda a agenda de cerimônias dos times para o dia ser mais produtivo. No final de todos os dias começamos a fazer uma daily com os líderes, vendo