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Insurtechs: o que são, como funcionam e quem já está no jogo no Brasil
Depois das fintechs, as insurtechs: o que são, como funcionam, quais modelos existem e quem já estava no jogo no Brasil.
Por Arthur Castro
Nos últimos anos, muito se ouviu falar de **fintechs**. Investimentos, exits, novas tecnologias — diversas coisas aconteceram no cenário financeiro com a entrada delas. No Brasil temos vários exemplos, como [Nubank](http://www.nubank.com.br), Neon e EasyCrédito, só para citar algumas. Elas surgiram para **remover a fricção**, através da tecnologia, entre os serviços financeiros e o cliente final — quase sempre por um app ou totalmente digital, sem precisar ir ao banco e enfrentar uma fila gigante ou passar horas no telefone para atendimento.  Com a mesma pegada, também buscando remover as fricções, dores de cabeça e demora no atendimento das solicitações, mas agora na área de seguros, as **insurtechs** já começam a fazer barulho (inclusive no Brasil). Não só fazer barulho, mas movimentar bastante dinheiro. Segundo a *CB Insights*, em 2016 o investimento em insurtechs foi de mais de **US$ 1,7 bilhão**. E tem mais: uma pesquisa apontou que **94% dos clientes brasileiros** estariam dispostos a trocar de seguradora caso empresas de tecnologia entrassem na jogada. ## Exemplos de que tecnologia e UX fazem toda a diferença  O **Sure: Insurance On-Demand** ajuda, por meio de um app, a contratar um monte de seguros — entre eles de vida, casa, smartphone e também para pets —, tudo em poucos toques. Além disso, com base nos dados que você fornece no app, ele pode dar sugestões inteligentes para a contratação. Ou a **Lemonade**, que recebeu investimento de fundos como Sequoia, GV, XL Innovate e alguns outros, e tem explorado bastante inteligência artificial nos atendimentos, com jornadas de contratação e abertura de sinistros supersimples e intuitivas. Tem também a **Metromile**, um seguro em que você paga pelo que andar, no conceito de *pay as you drive*. **Oscar**, **Slice** e vários outros. ## E no Brasil?  Também já temos alguns cases aqui. A começar pela **Youse**, onde você pode fazer seu seguro de vida, de carro e também para sua residência, tudo por um app, em menos de 10 minutos, selecionando as coberturas e assistências que quiser, pagando por mês (tipo assinatura mesmo) e sem precisar de um corretor. O conceito é o mesmo das outras insurtechs: reduzir a fricção na contratação, menos burocracia, estar disponível 24/7 e sempre com o usuário — que chamamos de *Youser* — seja no smartphone, nos smartwatches (inclusive uma das primeiras seguradoras do mundo com app para os relógios inteligentes) e onde mais ele quiser. Além disso, lançou o primeiro seguro auto que dá dinheiro de volta, o **Youse Friends**, uma espécie de **seguro colaborativo**, em que os participantes criam um grupo e se autogerenciam em prol da segurança. A **Segurize** é outra, com uma pegada diferente. Ela usa o processo de indicações — também conhecido como *member get member* — fazendo com que você receba uma grana por cada seguro que indicar (e que virar venda mesmo). Tem também a **Thinkseg**, a **Bidu** e outras. Os movimentos nas seguradoras tradicionais também começaram, como a Porto Seguro, que criou sua aceleradora, a Oxigênio. ## A uberização chegou aos seguros? *On-demand*. Essa é a palavra-chave. Movimentos como a compra da Sidecar pela GM ou o investimento da Ford no Lyft mostram que muitas companhias estão acompanhando essa mudança. E, na era da personalização, como nos exemplos citados, vemos que naturalmente isso tem chegado aos seguros. Pagar pelo que usar, escolher só o que eu quero ou receber alternativas baseadas no meu comportamento e nas minhas preferências. Cada vez mais, os dados, a experiência, a inteligência e o comportamento usam o smartphone como uma das fontes de informação e como a ponte para fornecer uma experiência cada vez mais personalizada. > Só de não precisar de trocentas assinaturas e imprimir/preencher um montão de documentos, as árvores agradecem (e também é muito mais prático carregar todas essas infos em um app do que em uma pasta, né?) Além do mais, os dados coletados permitem transformar o *insurance on-demand* numa coisa bem natural e prática, podendo oferecer uma cobertura extra ao identificar que você está viajando ou até mesmo fazer você pagar menos se dirigir sem freadas bruscas e sem acelerar demais. Não é mais uma questão de **"e se?"** ou **"será?"** para a **uberização** dos seguros. É mais sobre **quando** e **como** isso vai acontecer. Os movimentos no Brasil e no mundo já começaram.