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Joca Neto: "a IA não substitui o repertório"

Joca Neto sobre formar líderes, liderar líderes, adoção de IA na Superlógica, o encolhimento das portas de entrada do mercado e o papel do Corporate Hacker.

Por Arthur Castro

Joca tem mais de 20 anos no mundo de tecnologia. Foi de analista a executivo em empresas como Movile, PlayKids, iFood e Superlógica, e cofundou o Delivery Center, que saiu do PowerPoint para quase mil funcionários em três anos. Além disso, ele foi a pessoa que abriu as portas para a minha carreira lá no início, quando cheguei em São Paulo só com uma mala e sem ter onde dormir. Em março de 2026, eu e o Aíquis recebemos o Joaquim Neto, o Joca, para um dos episódios mais especiais que já gravamos. [![Assista ao episódio no YouTube](https://img.youtube.com/vi/6iQ7OnsAmME/maxresdefault.jpg)](https://youtu.be/6iQ7OnsAmME) ## Três habilidades inegociáveis em um time A primeira pergunta que fiz ao Joca foi direta: **quais são as três habilidades que você não abre mão que as pessoas do seu time tenham?** A resposta veio com história. > "Primeiro é **gente curiosa**, que quer descobrir, que quer aprender. Quanto menos experiência, mais energia, mais curiosidade eu busco em alguém." A segunda é **lealdade de time**. Não precisa ser amiguinho, mas precisa jogar junto. E a terceira, talvez a mais importante: **estar presente onde a dor realmente acontece**. Sair do prédio, ir para a rua, ver o que está acontecendo com o cliente na ponta. O Joca sempre encurtou a distância entre engenharia, produto, design e negócio. E isso virou marca registrada dele. ## A maior entrega de uma carreira Quando perguntamos sobre como identificar futuros líderes, o Joca trouxe uma reflexão que ficou no ar. > **"A maior entrega que eu tive até hoje foi ter formado vários CEOs, CPOs, CTOs. Gente boa que consegue crescer sem pisar nos outros."** Ele contou que aprendeu a liderar errando. Que abria e fechava o escritório sozinho por anos, até entender que sem as pessoas junto o máximo que ia conseguir era burnout. O ponto de virada foi quando começou a se importar de verdade com as pessoas do time: entender quem era cada um, delegar, acreditar. > "Talvez um analista incrível se torne um líder medíocre porque ele ainda entende que o melhor que ele pode fazer é continuar colocando a mão na massa." Sobre ser líder de líderes: o papel muda completamente. Você precisa incentivar seus liderados a tomarem decisões e a formarem seus próprios times. **Ele chama isso de "gestão helicóptero"**: passa para o time, o time avança, toma risco — mas sempre que necessário, desce. E separa tempo na agenda para falar com estagiário, analista e time de suporte. ## "Carroça vazia é a que mais faz barulho" O Aíquis fez a pergunta que muita gente de produto quer fazer: que conselho você dá para quem está no início ou no meio da carreira? A resposta do Joca veio com a história de vida dele. > "Meu vô contava uma história: a carroça vazia normalmente é a que mais faz barulho. Carrega a carroça primeiro, carrega de conhecimento." O Joca vem da Zona Leste de São Paulo, foi o primeiro da família a pisar numa universidade e o primeiro a ter carteira assinada. Não sabia como se comportar num almoço de negócios quando começou. Aprendeu tudo observando, **ouvindo mais do que falando**. E tem um ponto que ele trouxe que vale para todo mundo: se preparar financeiramente para ter liberdade de tomar decisões na carreira. Aceitar uma proposta inferior com ganho intelectual gigante. Poder "demitir seu chefe" quando necessário. Poder empreender quando a oportunidade aparecer. > "Se eu não tivesse me preparado para esse momento, talvez eu não conseguisse tomar essa decisão. Teria ficado preso ali no CLT." Uma vez time, sempre time. Essa foi a frase que fechou essa parte da conversa. Você não precisa trabalhar junto para ser time: a conexão real transcende a empresa. ## IA não substitui repertório O Joca viu muitas ondas de tecnologia nos últimos 20 anos: SMS corporativo, smartphones, apps e agora IA. E trouxe uma analogia que resume bem a visão dele. > "Se eu entregar uma tela em branco e tinta pro Arthur, ele vai conseguir criar alguma coisa. Se eu fizer a mesma coisa pro Da Vinci, o resultado vai ser muito maior pelo repertório que ele tem. A IA não substitui o repertório." Sobre a adoção prática de IA, ele contou como foi na Superlógica. A empresa fechou contrato direto com a OpenAI e foi a primeira a trazer representantes da OpenAI para o Brasil. A estratégia foi **centralizar conhecimento num grupo pequeno, espalhar "heroes" nas outras áreas e fazer hackathons misturando times de negócio e tecnologia**. - A primeira solução de IA que foi para o ar na Superlógica saiu de um time de negócio, não de engenharia. - Um colaborador de mais de 70 anos voltou a codar porque a linguagem deixou de ser barreira. - Times de sustentação adotaram mais rápido que times de inovação, porque viam resultado imediato nos chamados do dia a dia. - O time de design usou IA para mapear toda a jornada do produto, que virou material de onboarding da empresa. > "A ferramenta não é a solução. A gente tá conseguindo olhar pro problema certo? Ou a gente tá continuando a entregar pilhas de features?" E uma fr

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