Product Arena

Product Arena

Nove lições de produto e carreira na biografia de Elon Musk

Resenha da biografia de Elon Musk por Walter Isaacson sob a ótica de produto: apetite a risco, visão antes do modelo de negócio, liderança, automação prematura e mais.

Por Carol Pilon

Esta é a primeira edição da **Biblioteca da Pilon**, série em que resenho livros trazendo as relações com produto, carreira e liderança. Começo pela biografia de Elon Musk, escrita por Walter Isaacson — o mesmo autor das biografias de Leonardo da Vinci, Steve Jobs, Einstein e Benjamin Franklin. É um texto extenso, em que o autor mergulhou durante dois anos no dia a dia do empresário, trazendo uma visão geral da sua história e aprofundando nas últimas décadas. O objetivo aqui não é resumir o livro, mas dividir alguns aprendizados e percepções pessoais, sempre procurando fazer o paralelo com produto, carreira e desenvolvimento de negócios. ![Biblioteca da Pilon #01](https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6718a295-4030-40df-aced-274f177ab950_1920x1080.png) **Ficha técnica** - 656 páginas - Editora Intrínseca - Publicação: 12 de setembro de 2023 - Leitura indicada a partir de 14 anos ![A biografia de Elon Musk, por Walter Isaacson](https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9b1f845f-24c5-4b0c-9a1d-13f76ec57910_960x1280.jpeg) O livro percorre as principais passagens da vida de Musk: a infância em Pretória, na África do Sul, com um contexto familiar de razoável violência e abuso; a chegada aos EUA; o período da universidade; os primeiros empregos e empresas; até o contexto atual, mais familiar para nós. Sendo uma biografia, é possível conhecer aspectos menos divulgados — casamentos, paternidade, hobbies —, mas o aprofundamento se dá mesmo na dimensão em que ele foca mais energia: a profissional, gerenciando simultaneamente empresas de segmentos diversos — Tesla, SpaceX, Starlink, Twitter, The Boring Company, Neuralink e, mais recentemente, a X.AI. ## 1. Tentativa e erro: testar e aprender rápido Em product management, estamos sempre nos questionando sobre como trazer mais cadência para o ciclo de produto: testar, errar, corrigir e aprender, sempre o mais rápido possível. Musk personifica a tentativa e erro com seu apetite constante ao risco — tendo dinheiro ou não, experiência ou não. Ele mergulha intensamente em pautas que desconhece, como quando começou a estudar design automotivo na Tesla e errou na precificação inicial dos veículos. Também assume riscos que muitas vezes fracassam ou, em outros casos, viram a chave do sucesso — como no lançamento do terceiro foguete da SpaceX, que fracassou. Mesmo assim, em meio a um divórcio, a problemas graves na linha de produção das outras empresas e à falta de capital, ele não desistiu e decidiu lançar o quarto foguete: tudo ou nada. Deu certo, e foi o fator decisivo para a empresa conseguir aporte de investidores e iniciar as operações de envio de satélites, que gerariam caixa. Já se sabe que, quanto maior a tomada de risco, maior o potencial de fracasso — mas também maior a exposição a apostas que podem gerar retornos absurdos. No nosso caso, fica o questionamento sobre como ampliar cada vez mais o senso crítico como PMs, para tomarmos riscos calculados e ampliarmos o impacto das soluções. ## 2. Foco na missão, depois no modelo de negócios O cara quer colonizar o espaço, mudar a matriz energética do planeta e evitar o domínio da humanidade pela IA. Pode-se falar o que for, mas é inegável que são objetivos grandes, vindos de um único indivíduo. O que mais me chamou atenção no debate de produto é a forma como ele encara missão e visão: **primeiro desenha a visão, depois encaixa o modelo de negócios que a viabilize.** Um exemplo é a SpaceX, onde a visão é a colonização de Marte — e, para viabilizá-la, construiu-se o negócio de envio de satélites, que monetiza o longo prazo da missão. Outro está na Neuralink, com o negócio de implantação de chips em organismos com deficiências. Nas palavras dele: *"If we can find good commercial uses to fund Neuralink, then in a few decades we will get to our ultimate goal of protecting us against evil AI by tightly coupling the human world to our digital machinery."* Do ponto de vista de product management, isso é uma lição e tanto, considerando o quanto falamos sobre a importância de construir uma visão de longo prazo para os produtos, mesmo que cambiável. Os ganhos são diversos: fator norteador de direção, priorizações, focos gradativos e até engajamento dos times e funding externo. Visões grandiosas como as de Musk trazem consigo desafios de perseverança no contexto de inovação, e remetem ao desafio típico dos CEOs, que podemos espelhar como PMs: saber equilibrar o brilhantismo de encantar com o pragmatismo de construir. ## 3. Liderança: o paradoxo Do meu ponto de vista, este trecho traz os aspectos mais humanos de Musk, onde pude identificar o paradoxo entre erros crassos de liderança e a genialidade da exigência de qualidade e inspiração de time. Musk mostra que ser exigente e provocativo faz de você um líder que alavanca a performance. Mas também demonstra que a falta de empatia e de humanização na gestão pode dificultar a construção de uma cultura forte. Exemplo disso no livro é a transformação de

Voltar para todos os artigos