Product Arena
Maria Luísa: "não existe fórmula mágica para ser um bom Product Manager"
Entrevista com Maria Luísa, Product Lead na Creditas: como divide o tempo liderando 5 PMs, por que subestimar soft skills foi sua maior falha e o que estuda.
Por Arthur Castro
Não existe fórmula mágica para ser um bom product manager. Dá para aprender metodologia, montar frameworks de priorização e desenhar uma visão de produto bonita — e ainda assim travar, porque o trabalho de verdade é lidar com pessoas e com problemas complexos que raramente têm resposta óbvia. Quem diz isso é Maria Luísa, Product Lead na Creditas. **Product Hero** é a série em que entrevistamos heróis e heroínas que ajudam a criar produtos incríveis no Brasil e no mundo.  ## Quem é Maria Luísa Maria Luísa é Product Lead na [Creditas](https://www.creditas.com.br), uma das fintechs mais conhecidas do país, que busca reduzir os juros e recebeu uma rodada de investimentos liderada pelo Softbank. Formada em Engenharia Eletrônica pela USP e em Engenharia Biomédica no Politecnico di Torino, e tendo feito o Stanford Ignite (programa de MBA "express"), já trabalhou com produtos B2B e B2C na Medicinia, uma health tech. Está há três anos na Creditas, focando principalmente no produto de empréstimo com garantia de veículo.  ## Como você virou Product Manager? Comecei minha carreira em tecnologia trabalhando em uma startup de saúde, o Medicinia. A empresa era bem pequena, e eu trabalhava "fazendo um pouco de tudo" — história da vida dos funcionários da maior parte das startups em early stage. Meu cargo na carteira de trabalho era "analista de negócios". Na época em que entrei, estávamos iniciando um produto de gestão de leitos para hospitais. Nesse contexto, comecei um mapeamento para entender quais eram as maiores dores dos hospitais em relação à gestão de leitos, então precisei entender muito sobre o processo completo deles. Para isso, conversei com muitas pessoas de diversas áreas dentro dos hospitais: médicos, enfermeiros, pessoal de administração, equipe de limpeza de leitos. Depois disso, começamos a mapear potenciais oportunidades e hipóteses de soluções, e a iterar com as equipes para entender se aquilo resolvia seus maiores gargalos. Na época eu não chamava nada disso de "oportunidade" ou "hipótese", não conhecia nenhuma metodologia e trabalhava de um modo não muito estruturado. Depois de alguns meses trabalhando lá, conheci a área de produto mais formalmente por conta de eventos da Monashees (venture capital que era um dos investidores do Medicinia). Num belo dia, caiu a ficha: muito do que eu estava fazendo já era o trabalho de um product manager. Comecei a dar nomes para minhas atividades e percebi que eu estava fazendo user research, testes de usabilidade, acompanhamento de KPIs, discovery. Pensei: "será que *product manager* é o nome real oficial da minha função?". Nesse momento, estávamos iniciando outro produto, dessa vez B2C, e precisávamos entender como criá-lo do zero. Aproveitei a oportunidade para começar a entender mais dessa área que eu tinha recém-conhecido. Foi a época em que li Lean Startup, Running Lean, The Startup Owner's Manual, Don't Make me Think e muitos outros livros que falavam sobre produto, UX e startups de modo geral. Acho que foi nesse momento que de fato me senti uma "product manager" e comecei a me apresentar para as pessoas como "oi, eu sou a Malu, PM do Medicinia". ## Como você explica seu trabalho para pessoas normais (como avós, amigos…)? Eu tento levar algum exemplo real de um produto que as pessoas usam no dia a dia e faço um paralelo a partir daí. Normalmente faço paralelos com o WhatsApp, o Facebook ou o Instagram. Um bom approach que eu uso é: > "Sabe quando o WhatsApp começou a mostrar os dois checks azuis, para indicar que a mensagem já tinha sido lida? Alguém dentro do time do WhatsApp precisou identificar que *saber que a mensagem já foi lida* era uma necessidade ou desejo de quem usava o app deles. Alguém também precisou pensar em qual era a melhor forma de mostrar que essa mensagem tinha sido lida, e para isso provavelmente precisou falar com várias pessoas que usavam o app. Depois disso, alguém teve que incluir de fato essa funcionalidade dentro do aplicativo. E, quando essa funcionalidade ficou disponível para os usuários, alguém teve que medir qual foi o impacto dela nas principais métricas de controle do WhatsApp. Normalmente, o product manager é quem coordena esse ciclo de identificar a oportunidade, pensar na solução, implementá-la e medir seu impacto. É isso que eu faço, mas para outro produto." ## Como é a sua rotina como Product Manager? Uma coisa ótima sobre produto é: não existe rotina. Hoje atuo como Product Lead de uma das nossas tribes, a de "Auto" — nosso nome carinhoso para a unidade de negócios que trabalha com empréstimo com garantia de veículo. Dentro da nossa tribe, gerencio um time de 5 product managers. Não dá para falar de rotina, mas eu dividiria meu tempo da seguinte forma: - **~40% do tempo trabalhando em conjunto co