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De marketing para AI Ops: a virada de carreira de Marina Moreira
Marina Moreira, AI Ops na Velora, sobre sair do marketing para a IA, o que faz um AI Ops, o Company OS no Notion e a semana de quatro dias na era agêntica.
Por Arthur Castro
Dez anos de marketing, passagens por empresas como **Pier** e **Stone**, quatro anos trabalhando para empresas de fora do Brasil (inclusive uma australiana) — e um 360º na carreira para assumir a cadeira de **AI Ops** na Velora, empresa americana que cria produtos para ONGs. [Marina Moreira](https://www.linkedin.com/in/marinamoreira/) é a "Mother of Agents", descrição que viralizou no LinkedIn. [](https://youtu.be/avfmMZkuGtc) ## Mother of Agents e a virada do marketing para AI Ops Depois que **saiu 100% do marketing para a IA**, ela sentiu que estava "babysitting" seus agentes. Modelo descontinua, prompt fica torto, alguém chama, ela corre para consertar. > "Eu senti que eu estava babysitting meus agentes. Eles vão bem, descontinuam modelo, o prompt está um pouquinho errado. Me chamam, eu vou lá, corrijo prompt, evals…" A chamada para a transição deu um friozinho na barriga: uma reunião às 19h com a VP de Marketing, após um offsite de liderança. Conclusão da empresa: criar um time de AI Ops. Piloto de 30 dias, três pessoas. Se rolasse, iam manter. Se não, volta tudo. Ela topou. Quinta-feira. Segunda já começava e não fazia mais nada de marketing. Mas, na real, ela percebeu que a versão longa começou antes do ChatGPT. Time pequeno, inglês não nativo, ferramentas de copy mequetrefes. Em um offsite na Austrália, em 2022, ela usava IA para revisar e-mail e levou um esculacho do chefe por causa de uma gíria australiana que a IA recomendou. Meses depois o ChatGPT explode e a empresa olha para ela: aquele negócio que você já usava, talvez faça sentido. De custom GPTs e tom de voz para APIs, frameworks e sistemas. No fim, ela se reconhece como generalista: > "Finalmente não precisa fazer uma coisa só. Chegou o momento dos generalistas!" ## O que faz um AI Ops (e por que o Notion virou Company OS) Marina foi direta: o cargo ainda não tem "nome padrão". Tem GTM Engineer, Forward Deployed AI Engineer, AI Ops. A ideia é a mesma: **alguém que entende o domínio e constrói workflows de agentes para os times internos.** Na Velora (fusão de empresas de software para ONGs), o stack top-down é Notion + Cursor. Quer usar outra coisa? Precisa de business case. O motivo é eliminar a distração do hype de ferramenta e o barulho do novo modelo da semana. Contexto histórico de anos no Notion. Agentes no Slack. Clay com limitação, porque o ICP deles é B2B, não ONG. > **"As empresas precisam começar a pensar no incentivo das pessoas criarem sistemas compartilhados e saindo do personal OS para o Company OS."** Marina confessou o medo que muita gente sente e pouca gente fala: estudar IA 10, 20 horas por semana para proteger a cadeira. Do outro lado: se eu entrego 10x, a expectativa sobe 10x? Burnout? AI Brain Rot? Sem incentivo para compartilhar o sistema, a empresa compra ferramenta e **nada muda no dia a dia**. ## O que o marketing deveria estar aprendendo sobre IA Marketing sempre teve a "persona" antenada. Mas, com a IA, isso não está acontecendo com a grande maioria dos profissionais. No começo, o marketing era o time natural para a adoção: LLMs são sobre linguagem e comunicação. Quando agentes e código entraram, engenharia tomou a frente. Marketing ficou "assustado" com o trecho mais técnico. A receita dela: 1. Não use IA só para substituir o que você já faz bem (conteúdo, storytelling). 2. Use para cobrir o que sempre faltou: dados, testes A/B, dashboard, landing page, lead magnet. 3. Pense em Pareto: aprenda 20% do vocabulário e do framework para a IA fazer 80% do resto. > **"Seja você o seu próprio dev."** Ela contou, inclusive, o que aconteceu com a esposa, médica: Claude Code gerando apostila, exercício e quiz. A mentalidade de time pequeno que ela tinha em 2022 permanece. Só que as ferramentas escalaram de um jeito bizarro. O que dava para fazer com duas, três pessoas agora multiplica. Só que a complexidade também subiu. **Não é mais só prompt engineering.** É context engineering, conforto com código, Claude Code fazendo o que o chat sozinho não faz. A dica final dela para quem quer entrar nessa cadeira: **pegue o job description de uma posição que você gostaria de ter no seu time e tente fazer a "pessoa" com IA. E aprenda fazendo.** ## Semana de quatro dias e o "AI Brain Rot" Marina gabaritou o bingo do sonho CLT: empresa global, remota, semana de quatro dias na Raisely por mais de três anos. Gift day: o quinto dia só existia se a empresa batesse a meta. Todos os indicadores melhoraram. Life admin no dia livre. Menos reunião. Mais intencionalidade. Depois que ela virou AI Ops, o ritmo mudou. > "100% conversando com agentes de AI, 8, 9 horas por dia, agora 5 dias na semana. A exaustão é inacreditável." Tarefa manual cansava o corpo e descansava a cabeça. Agora o output do funcionário deixa de ser execução e vira decisão. > Pessoas exaustas tomam decisões piores. Para ela, semana de quatro dias vira infraestrutura para time agêntico: c