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O memorando do CEO do Shopify: usar IA deixou de ser opcional
Tobi Lütke cobra uso de IA de todo o Shopify, do estágio à diretoria. O que muda quando "prove que não dá para fazer com IA" vira pré-requisito de contratação.
Por Arthur Castro
O CEO do Shopify, Tobi Lütke, publicou um [memorando interno](https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:7315102718732197888/) — que acabou vazando e que depois ele mesmo compartilhou na íntegra — cobrando do time uma postura mais ativa em relação ao uso de inteligência artificial. O tom foi direto: > **AI não é opcional — é esperado que todos usem, do estagiário ao executivo.**  ## Mas o que tinha de tão diferente nesse memorando? Na real? Nada de novo. O valor estava no reforço. Os seis pontos que ele trouxe são exatamente o que times de produto atentos já vêm discutindo há meses — e tem coisa ali que a gente já falou em outubro de 2024. A lista: 1. Usar AI é uma expectativa básica e fundamental para **TODOS** no Shopify. 2. AI **DEVE** fazer parte da fase de prototipação. 3. O uso de AI **vai ser parte** da avaliação de desempenho. 4. Aprenda do seu jeito, **mas compartilhe o que aprender**. 5. Antes de pedir mais pessoas ou recursos, **PROVE** que não dá para fazer isso com AI. 6. Essa expectativa vale para **TODOS**, do nível mais júnior até a liderança executiva. ## AI como cultura, não ferramenta A questão não é sobre ferramentas, mas sobre cultura. Mesmo quem já conhece APIs, webhooks e usa ChatGPT ainda não começa o dia pensando "como posso resolver isso com AI?". O empurrão de um líder serve justamente para quebrar essa inércia. E não é cobrança por cobrança. É criar espaço para a experimentação: **errar faz parte do processo — e é esperado que se compartilhe tanto os acertos quanto os tropeços.** ## "Antes de pedir mais gente, PROVE que AI não resolve" Essa talvez seja a frase mais provocadora do memorando. E também a mais atual. Não estamos mais falando só em eficiência. Estamos falando de uma nova lógica de operação. A contratação deixou de ser a primeira resposta. Agora vem depois de explorar o stack de AI, no-code, automações e agents. E isso muda tudo. Pode ser que vejamos surgir uma "nova" função: **orquestrador** ou ***agent manager***. Alguém que conecta ferramentas e agents para resolver fluxos inteiros. Muita viagem? Olhe esse tweet de uma vaga aberta na gringa.  ## E se o cenário macro piorar? O contexto global não é dos mais estáveis. Entre rumores de recessão, IPOs sendo cancelados e investidores mais cautelosos, empresas estão olhando para 2025 com lentes mais econômicas. E aí entra a pergunta: > O que fazer num ciclo de corte de custos quando se tem AI à disposição? Antes, a resposta era: cortar headcount e projetos. Agora, a resposta pode ser: cortar headcount e manter os projetos — com AI fazendo parte deles. ## Você não compete só com pessoas Nos ciclos anteriores de layoff, a briga era entre candidatos. Agora é entre candidatos *e* máquinas. A nova fila de prioridades é dura: - Quem ainda não se recolocou começa a disputar vagas com menos senioridade, aceitando downgrade. - Empresas tentam "esticar" profissionais menos experientes, mas com potencial e sangue nos olhos. - E ambos agora ganham um novo concorrente: disputam com ferramentas que **não tiram férias, não pedem aumento e aprendem rápido.** Se antes a dúvida era "contratar ou não contratar?", agora ela virou: > "Tem certeza de que precisa de alguém ou dá para resolver com um agent?" ## No fim das contas, é sobre atitude O memorando do Shopify não trouxe nenhuma novidade — tirando a parte de que provavelmente veremos outros memos em breve. Mas ele deixou claro que o tempo de ficar em cima do muro acabou. > **Se AI vai mudar como a gente trabalha — e tudo indica que vai —, quem começar a experimentar antes vai ter vantagem.** Não dá mais para tratar isso como "interesse lateral" ou "coisa de tech nerd". A AI já é parte do trabalho. A pergunta é: o que você está fazendo para se adaptar? [](https://youtu.be/vfTnOV4vcwo) ## Produtos da semana - **Skyscanner** — pesquisa de viagens - **Manus AI** (citado três vezes) - **IRPF 2025** — o bom e velho app da Receita - **Training Peaks** — app de treino e analytics para atletas - **Smart Things (Samsung)** — controle da TV pelo celular - **Teams (Microsoft)** — organização de reuniões e links externos - **Duolingo**