Product Arena
O que esperar do mercado de produto em 2026, segundo quem lidera produto no Brasil
Lideranças de Creditas, Omni, Serena e ex-Uber debatem 2026: IA, times menores, o perfil full stack builder e a cobrança por valor na cadeira de produto.
Por Arthur Castro
Existe empolgação real com a IA e a mudança de plataforma que estamos vivendo. E existe cautela, porque o cenário econômico, político e organizacional não permite erro gratuito. Foi essa a leitura quase unânime de quatro lideranças de produto sobre o que esperar de 2026. [](https://youtu.be/0ollpnSCo6A) ## Um marco: sair do estúdio e entrar na arena A ideia nasceu quase como brincadeira. Depois de sermos convidados para gravar no Web Summit e ver o Acquired fazendo um episódio especial pra 6.000 pessoas no estádio do Warriors em San Francisco, veio a pergunta inevitável: > E se a gente fizesse com plateia? Dito e feito: o Papo na Arena foi gravado pela primeira vez ao vivo, com plateia, em São Paulo. Vale o agradecimento a [Vanessa Silva](https://www.linkedin.com/in/vanessacarlas-pm/), líder de Produto na Omni e amiga de longa data, que movimentou mundos e fundos pra fazer acontecer, e a todo o time da Omni, que abriu a casa pra gente.  Quem esteve conosco: - [Marcos Masuchi](https://www.linkedin.com/in/marcos-henrique-masuchi-a71b433a/), VP of Products — Creditas - [Kelly Costa](https://www.linkedin.com/in/kelly-costa-94aab448/), Superintendente de Produtos — Omni Conectado - [Renata Gaggeti](https://www.linkedin.com/in/renata-gagetti/), Fractional CPO — ex-Uber, iFood e OLX - [Gabriel Hamú](https://www.linkedin.com/in/gabrielhamu/), Tech and Product Director — Serena Energia ## O clima para 2026: empolgação + tensão  A primeira pergunta foi direta: como as lideranças de produto estão enxergando o mercado para 2026? Não é um ano "arco-íris". É um ano de: - decisões difíceis; - menos espaço para experimentação desordenada; - mais cobrança por resultado. A AI não cria esse cenário. Ela **amplifica** uma conversa que já estava atrasada: > Qual é, afinal, o valor real da cadeira de produto dentro das empresas? ## Produto, AI e o fim das fronteiras claras A segunda pergunta: 2026 vai ser um ano de grandes mudanças pra PMs e times de produto? Quais principais mudanças acreditam que vão rolar? A ideia clássica de produto pede, design desenha e engenharia constrói está ficando cada vez menos sustentável. Com AI, low-code e no-code, surge com força o perfil do **generalista**: alguém capaz de materializar ideias rapidamente, nem que seja com protótipos simples, automações ou fluxos imperfeitos. Marcos Masuchi nomeou esse ser de **Full Stack Builder**. O que todo mundo concordou foi sobre estarmos caminhando para um cenário com times menores, mais autônomos, com menos handoffs e mais responsabilidade direta sobre impacto. ## O paradoxo da AI: 10x individual, 30% no time  Gabriel Hamú, Diretor de Produto e Tech da Serena Energia, trouxe uma provocação interessante: > Sozinho, com AI, você vira 10x. Por que num time inteiro o ganho muitas vezes não passa de 20–30%? Algumas hipóteses surgiram: - times grandes demais; - rituais antigos demais; - decisões lentas demais; - pouca padronização técnica. Colocar AI "por cima" de processos quebrados **não resolve**. Só acelera o caos. Vamos precisar criar uma nova forma, seja ela qual for. ## Liderança de produto: a conta chegou Os participantes trouxeram que a liderança de produto entra em 2026 com três responsabilidades claras: 1. **Tirar o time da inércia.** 2. **Falar a língua do negócio** (isso já deveria ser default). 3. **Provar valor.** Renata Gaggeti trouxe uma provocação legal aqui: > A era do "CPO isolado no laboratório de ideias" acabou. Cada vez mais vemos: - produto respondendo para tecnologia; - estruturas sendo achatadas; - crescimento do modelo de *fractional*. Não porque produto deixou de ser importante, mas porque **não conseguiu, em muitos casos, se provar**. ## Recrutamento: como saber quem é "builder" de verdade? Uma das perguntas mais práticas foi sobre contratação: como separar quem só repete buzzwords de quem realmente constrói? Os participantes contaram algumas perguntas que passaram a fazer nos processos: - perguntar **o que a pessoa construiu recentemente**; - pedir exemplos de uso criativo de IA (não só "usei pra escrever PRD"); - trazer um problema real e pedir que a pessoa **mostre**, não explique; - perguntar sobre a stack que a pessoa usa, ou até mesmo quantas ferramentas de AI ela está pagando. Mas uma coisa em que todos concordaram: curiosamente, **pouca gente ainda tá fazendo diferente**. Nunca foi tão fácil ir além. E mesmo assim a maioria continua não indo. ## A AI não democratiza. Ela escancara diferenças Um ponto que eu já comentei em outros episódios do podcast e reforçei aqui: > A AI não transforma profissio