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Nexus, de Yuval Harari: o que redes de informação e IA cobram de quem faz produto
Resenha de Nexus, de Yuval Harari, sob a ótica de produto: redes de informação, narrativas, democracia, regulação e o papel de quem faz produto diante da IA.
Por Carol Pilon
A **Biblioteca da Pilon** é a série em que resenho livros trazendo as relações com produto, carreira e liderança. Já passei por [Elon Musk](https://arthurcastro.substack.com/p/biblioteca-da-pilon-01-bibliografia-elon-musk) e por [Factfulness](https://arthurcastro.substack.com/p/biblioteca-da-pilon-02-resenha-factfulness). Hoje vim contar um pouco do meu aprendizado quanto ao livro [Nexus: Uma breve história das redes de informação, da Idade da Pedra à inteligência artificial](https://amzn.to/4bRWS2Z), do Yuval Harari, mesmo autor de best-sellers como *Sapiens* e *Homo Deus*. Vem comigo, que o texto está cabeçudo.  > Dica: dá para usar a [Speechify](https://share.speechify.com/mz7I4Hq), ferramenta amada do Arthur, e transformar o livro num podcast para ouvir enquanto corre no parque ou está no trânsito. ## TL;DR O autor traz a sua perspectiva quanto aos impactos que a IA pode desempenhar na sociedade futura, sob um ponto de vista antropológico e histórico, utilizando elementos narrativos que muitas vezes fogem do que nós, do meio de tecnologia, estamos acostumados. Sua argumentação toda parte de uma tese já conhecida de Yuval em seus outros livros: a de que **o ser humano foi a espécie capaz de exercer poder sobre todas as outras no planeta devido à sua capacidade de colaboração e, para isso, constrói narrativas que unem os diversos agentes sociais em prol de objetivos comuns.** Mas até aí, o que isso tem a ver com IA? E, se somos a espécie mais inteligente, por que com todo esse nível de evolução ainda nos encontramos em um cenário de percepção de piora global, ambiental, de violência, poluição, crises, conflitos internacionais e migratórios? E aí entra o ponto-chave de toda a argumentação: **não é apenas uma questão de informação e conhecimento, mas também, e prioritariamente, uma questão política e de interesses** — bem como a relação da IA com a democracia. O spoiler aqui é que, em geral, sua visão é preocupante e bem pegada ficção científica, em que inteligências artificiais não conscientes podem ser equivocadamente desenvolvidas, ameaçando o domínio dos humanos em nossa sociedade. ## A visão ingênua de que "mais informação é mais sabedoria" O primeiro contexto necessário tratado no livro é o de esclarecer que mais informação não significa mais sabedoria. Ou seja: como sociedade, acumulamos cada vez mais informação, mas não temos necessariamente uma aplicação mais sábia desse imenso volume de dados. Agora que temos drones, chats inteligentes, bancos de dados que se retroalimentam, o que fazer? O texto já se inicia trazendo senso de responsabilidade ao leitor e o perigo de se aplicar uma "visão naive" do uso da informação, principalmente na era da inteligência artificial. Conhecimento nas mãos erradas ou incompetentes pode ser fatal — sejam elas humanas ou não.  ## O poder da informação, nas mãos certas ou erradas A informação constrói histórias, e são elas que conectam e atribuem poder, sendo verídicas ou não. Ou seja: o problema está no meio do caminho. Há exemplos disso em diversas esferas e, aqui, não vou questionar a veracidade ou não deles, mas apenas ilustrar algumas narrativas que de fato moveram a sociedade coletivamente — como as religiões, o paradoxo entre astrologia e astronomia ou mesmo sistemas políticos, em sua maioria baseados em uma ficção, tais como a constituição americana ou os mandamentos de Maomé. Alguns admitem seu caráter fictício, outros não. O fato é que, independente da sua veracidade, *narrativas são instrumento para manutenção da ordem, não necessariamente da verdade*. Não é novidade para ninguém a existência de governos, por exemplo, que limitam o acesso à informação ou despriorizam a verdade frente à narrativa, para manutenção da ordem.  ## A relação da tecnologia com a informação Até chegar onde estamos hoje, a evolução tecnológica relacionada às redes de informação passou por diversas etapas, partindo da criação de documentos escritos há milênios, que tornaram possível a organização de sociedades complexas do ponto de vista comercial, político, financeiro e social. Documentos em grande volume evoluíram para burocracias que, apesar de serem a única forma de viabilizar a escala de muitos processos complexos, como casos jurídicos ou procedimentos hospitalares, podem também atrasar e dificultar o acesso à verdade em muitos casos e **distanciar os que criam as regras dos que as obedecem**, tornando cada vez mais difícil o entendimento das estruturas de poder. Depois da documentação e da burocracia, chegamos ao cenár