Product Arena
O que analisar na hora de mudar de emprego em produto
Profissionais de Daki, iFood, QuintoAndar e LEGITI contam o que avaliaram antes de trocar de emprego — e por que processo seletivo também serve para avaliar a empresa.
Por Arthur Castro
Trocar de emprego raramente é uma decisão só sobre salário. Quase sempre ela começa antes: com um incômodo mal explicado, uma abordagem de recrutador que chega na hora certa ou a sensação de que o desafio atual já não desafia mais. Para destrinchar isso, reuni profissionais de produto que tinham feito movimentações de emprego havia menos de um ano, em fevereiro de 2022, para empresas como Daki, iFood, QuintoAndar e LEGITI. A pergunta foi uma só: **o que analisar na hora de mudar de emprego?**  ## Felipe Lopes — Group Product Manager no QuintoAndar > "Como profissional, quais são os pontos que eu quero evoluir ou ter na minha vida? É dinheiro? É tranquilidade? É conhecimento?" Para mim, qualquer mudança de emprego passa muito por **autoconhecimento**. Acho que toda pessoa precisa entender o que a motiva, quais são os gatilhos que a fariam pensar numa movimentação, quais são os possíveis gaps que ela tem como profissional. Ter algum tipo de ferramenta ou estrutura que ajude a pensar: *"Como profissional, quais são os pontos que eu quero evoluir ou ter na minha vida? É dinheiro? É tranquilidade? É conhecimento?"*. Se autoconhecer e perceber que a posição que você ocupa no momento não te dá perspectiva de evolução nos pontos que você busca abre uma porta gigantesca para procurar caminhos — seja dentro da própria empresa (mudança de área ou de contexto, negociação por uma promoção com maiores desafios, por exemplo), seja fora dela. É importante dizer que se autoconhecer e ter noção do que te faria movimentar é um processo que, de tempos em tempos, gera resultados diferentes. O que motivou minhas últimas mudanças de trabalho foram pontos relacionados a desafios. Mas já houve momentos na minha carreira em que as motivações eram financeiras — e não é demérito nenhum ter isso como um dos principais pontos na hora de fazer a mudança, desde que não seja **SÓ** por isso. Já vi muita gente que mudou por causa de dinheiro, e normalmente esse estado de conforto financeiro não é a única coisa que motiva a longo prazo. Para finalizar, acho que tem um ponto que passou a ser mais frequente nos últimos anos, em toda movimentação que eu faço, que é: *"Essa empresa realmente respeita o colaborador? Eu vou ter segurança psicológica para realizar meu trabalho?"*. Acho que todo mundo está, em algum nível, passando por situações mais complexas quanto ao psicológico por conta da pandemia, e isso colocou ainda mais a lupa sobre a importância do ambiente e da cultura da empresa. Para isso, o que eu faço é conversar com pessoas que estão na empresa (abordar pelo LinkedIn mesmo, não tem problema!), procurar mais informações sobre esse ponto no Glassdoor ou no LinkedIn, ver como as pessoas reagem a esse tipo de pergunta durante a entrevista. É importante se atentar aos sinais e às respostas para não entrar numa empresa motivado pelo desafio e pelo pacote financeiro e flertar com burnout de mês em mês. ## Gabriela Fraga — Group Product Manager no iFood > "Costumo dizer que se eu estou muito confortável com o que estou fazendo no trabalho e não me sinto mais desafiada, está na hora de mudar." Quando iniciamos a jornada profissional, colocamos os nossos sonhos e realizações como parte do plano de trabalho, sendo o trabalho em si o esforço necessário para alcançá-los. Tudo o que vier ao longo desse caminho — as empresas, oportunidades, frustrações, aprendizados e resultados — serve de combustível para que o caminho até a conquista do objetivo seja cada vez mais curto. Eu acredito que a maioria das nossas vivências está ligada diretamente à forma como nos relacionamos e a tudo aquilo que o indivíduo constrói a partir das suas relações. Por isso, costumo dizer que se eu estou muito confortável com o que estou fazendo no trabalho e não me sinto mais desafiada, está na hora de mudar. Se você parou para pensar e se perguntou se precisa tomar uma decisão diferente sobre o seu trabalho atual, considere sempre o momento em que você está com esse desafio — e aqui já é o primeiro passo para chegar ao próximo. Eu sempre me faço perguntas do tipo: *"como está minha energia?"*, *"esse é o desafio que ainda se conecta com o meu momento e propósito pessoal?"*, *"como anda o equilíbrio entre esforço e recompensa?"*, *"eu me orgulho do que estou entregando?"*, *"me sinto desafiada e desenvolvida?"*. E procuro sempre relacionar isso ao meu bem-estar e ao que busco de próximos passos para minha carreira. Fazendo uma analogia breve com as relações mencionadas antes: é importante medir se estamos em sintonia ou se de fato precisamos iniciar um novo ciclo. O que eu sempre levo comigo e não abro mão: eu preciso acordar todos os dias curtindo muito o que eu faço, aprender sempre com as pessoas com quem eu trabalho e me orgulhar dos meus resultados. Os ambientes são feitos pelas pessoas e os resultados são frutos de