Product Arena
Ray-Ban Meta: um review de produto depois de 10 anos testando smartglasses
Google Glass, Spectacles, Echo Frames e Ray-Ban Meta: uma década de smartglasses analisada por produto, hábito, casos de uso e privacidade.
Por Arthur Castro
Há cerca de dez anos a gente escuta que os óculos inteligentes vão ser "the next big thing". E nunca vinga.  Testo esses devices desde 2013, e em eventos e cursos da Product Arena costumamos deixar um óculos com os participantes para registrarem seus POVs. Este texto é o balanço dessa década — com foco no Ray-Ban Meta, que na época parecia o primeiro da categoria a realmente pegar. Vale a delimitação: estamos considerando apenas devices que você coloca e sai usando na rua sem parecer que está em um filme de ficção científica. O Apple Vision Pro, lançado em 2023, fica de fora pela portabilidade, duração de bateria e formato.  ## 1. Produto, design e usabilidade > "Vamos fazer um óculos bem tecnológico" versus "que tecnologia dá para colocar em um óculos?" Na minha opinião, **inverter a pergunta** foi a maior mudança que impactou produto, design e usabilidade nos últimos anos. E se continuarmos a pergunta com "das tecnologias que podem ser colocadas em um óculos, quais fazem sentido para o contexto cultural atual?", o jogo muda ainda mais. Isso fica visível nas versões criadas ao longo do tempo. Um óculos super futurista, que traz milhares de informações na tela e ainda passa um cafezinho, pode até ser legal. Mas timing importa — principalmente quando falamos da união entre online e offline. Será que esse foi um dos motivos do fracasso do Google Glass? ### Hardware Olhando para o **Google Glass**, você sabe que não é um óculos comum. O device prometia uma verdadeira experiência de realidade aumentada, com telas projetadas nas lentes oferecendo navegação, busca na web, mensagens, música, tradução e fotos. Com vários problemas de desempenho e um cenário em que a internet móvel estava longe do 4G e do 5G — estamos falando de 2013 —, o buzz foi grande, mas a frustração dos early adopters veio na mesma proporção. O básico bem feito, nesse caso, deixou a desejar. Sobre isso, vale a recomendação do documentário **General Magic**, sobre a empresa responsável por muitas das patentes e protótipos do que usamos hoje — nos anos 80. O **Spectacles**, da Snap, parece ter intencionalmente formatos diferentões, que chamam a atenção. A versão mais recente, com realidade aumentada, tem um look moderno e nem chegou a ficar disponível para venda ao público, apenas para desenvolvedores. Tudo isso para você criar snaps mais interativos, com o famoso POV (point of view). Apesar de ser mais discreto que o Google Glass, dá para ver a câmera nitidamente.  Já o **Amazon Echo Frames** — sim, a Amazon tem um óculos inteligente desde 2020 — e as versões do **Ray-Ban Meta** dificilmente são notados como óculos inteligentes. Inclusive, um dos modelos mais icônicos da Ray-Ban, o Wayfarer, foi um dos escolhidos para receber a tecnologia. > Usando as versões do Ray-Ban inteligente desde 2021, até hoje **apenas duas pessoas** me perguntaram: "esse óculos tem uma câmera?" O Echo Frames não tem câmera, apenas áudio, já integrado com a Alexa. Dá para pedir informações, ouvir lembretes e fazer ligações. Sobre **usabilidade**, existem diferentes tipos de interação. Como "ativar" as funcionalidades: voz, toque ou gestos? Em alguns dá para interagir falando ou por gestos, como no Google Glass e no Spectacles 4. Nas versões 1, 2 e 3 do Spectacles, você precisa clicar num botão na haste. No melhor dos mundos, você pode falar e interagir fisicamente. É o caso do Ray-Ban Meta: dá para clicar no botão da haste ou pedir a gravação por voz. "Hey Meta" é o comando, e funciona muito bem. A haste também é touch — um clique dá play ou pause na música, dois cliques pulam a faixa, e arrastar para frente e para trás controla o volume. Para fechar, os óculos da Meta cumprem uma função óbvia mas essencial: **são apenas óculos**, de sol ou com armação normal, para quando você não quer nem ouvir música nem gravar nada. Isso estimula bastante o uso diário. E vir de uma marca já consolidada no setor é um baita feat. ### Software Spectacles e Echo Frames, por serem de empresas que já tinham apps (Snapchat e Alexa), provavelmente têm uma curva de aprendizado menor. Já no Ray-Ban Meta você precisa baixar um app para enviar as fotos e configurar tempo de filmagem, ação principal do botão, integração com Spotify e comandos de voz. Quem está no Brasil precisa de uma conta em alguma store de fora para conseguir baixar. Mas o app evoluiu muito desde o começo, assim como o hardware. No início não dava para conectar mais de um aparelho — chato para quem usa um no sol e outro em ambiente fe