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Renato Angrisani: "Product Management is more of a mind set than a set of skills"

Entrevista com Renato Angrisani, Product Manager da Loggi: rotina sem rotina, o erro de trocar o som do app sem ouvir o usuário e dicas para quem quer ser PM.

Por Arthur Castro

Um time identifica um problema real a partir de reviews da loja, desenha uma solução lógica, testa em campo e lança. Aí os usuários odeiam. O que faltou? Falar com eles. Essa é uma das histórias que Renato Angrisani conta nesta entrevista da série **Product Hero**, em que converso com pessoas que ajudam a criar produtos no Brasil e no mundo. ![](https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6c417a4a-8d09-4c5f-9dad-d07cd3e9f390_800x594.png) ## Quem é Renato Angrisani Conheci o Renato em uma das edições do curso de Product Manager da Product Arena, onde ele foi um dos participantes mais ativos. Bem curioso e sempre com questionamentos e contribuições interessantes. Atualmente é Product Manager da Loggi e já passou por Locaweb e IBOPE. Também é um dos organizadores do [São Paulo Product Meetup](https://www.meetup.com/SP-Product-Meetup/) e do Product Camp #2. ## Como você explica seu trabalho para pessoas normais (como avós, amigos...) Você já se sentiu incomodado com algum produto ou serviço, mas não sabia explicar exatamente o que era que te incomodava? Você já viu algo que parecia mal feito, mas não sabia dizer por que não era bom ou como melhorar? Meu papel no time é justamente entender o que incomoda os usuários de um certo serviço ou produto, e também entender o que está errado nele e, principalmente, por que está errado. Assim, o time consegue pensar em como melhorar. ## Qual é sua rotina diária como Product Manager? Não tenho uma rotina hoje e acho isso algo bom. As coisas que precisam de atenção variam muito todos os dias, e eu não daria atenção tão rápido se tentasse manter uma rotina. Tento fazer com que as coisas que requerem atenção me cutuquem de alguma forma, como e-mails ou lembretes. O Inbox é uma das ferramentas que me ajudam muito: você dispara, por exemplo, relatórios periódicos para o seu e-mail. Se não puder olhar naquele momento, basta usar a funcionalidade de *snooze*. Ferramentas de TO-DOs também são fundamentais para que eu consiga, mesmo sem manter uma rotina, fazer tudo que preciso — como Wunderlist ou Evernote. ## Onde você busca inspiração? (links, blogs, podcasts...) Busco inspiração na experiência dos outros, sejam fracassos ou sucessos. Blogs e posts costumam contar apenas parte da história. Por isso, o que mais gosto de fazer é compartilhar experiências ao vivo, seja em um café ou em um encontro de pessoas de produto. Costumo chamar para um café pessoas que desenvolveram produtos incríveis ou vivenciaram grandes erros e faço o máximo de perguntas que posso. Também tento promover eventos, como o [SP Product Meetup](https://www.meetup.com/SP-Product-Meetup/), onde posso ouvir diversas experiências e opiniões diferentes. ## Qual seu tipo de Product Manager? ![](https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/4f3cb255-47b2-46e5-ac6c-4aa12bcf852b_800x768.png) O tipo curioso. Aquele tipo de pessoa que não fica satisfeita com a primeira resposta ou com pouca informação e não mede esforços para conseguir as respostas para as perguntas que surgem, mesmo que isso exija aprender coisas novas ou passar o dia na rua entrevistando pessoas ou agindo como usuário. Sempre digo que, se o papel do PM é mapear os desafios do produto, então essa pessoa precisa ser curiosa e perguntar muito, testar muito e estar sempre aberta a aprender novas formas de pensar e interpretar o mundo. Esse é o curioso. ## Qual foi sua maior falha? E o que você aprendeu com ela? Quando entrei na empresa, existia um projeto já em fase de implementação que consistia em mudar completamente uma tela já existente no sistema, para agregar novas funcionalidades e padrões de design. Algumas pessoas lembraram de reviews do app que diziam que o som da notificação que levava à tela que estávamos mudando era baixo, pois era super grave e nosso aplicativo é usado no meio do trânsito. […] Ainda tínhamos uma semana para o lançamento, tempo suficiente para criarmos um novo som, segundo designers e desenvolvedores. Novo na empresa, mas convencido pelos argumentos lógicos, disse: "claro, por que não?". Contratamos uma produtora de som, passamos as especificações (som agudo que fosse audível no meio do trânsito), testamos como se fôssemos usuários e deixamos tudo pronto para a data do lançamento. Muita correria, muito esforço e sucesso! Lançamos... Os usuários foram bem enfáticos nos feedbacks: ODIARAM. Tivemos que voltar o som do toque antigo pouco tempo depois. Não porque o som era baixo ou irritante; não era uma crítica ao novo som, mas uma crítica por termos mudado o som. A verdade é que eles amavam o som antigo, que é o símbolo do aplicativo para eles. Meses depois, ainda recebo feedbacks negativos daquele toque, sempre que encontro um usuário. Moral da história: identificamos um problema a partir de reviews do aplicativo, bolamos uma solução super lógica e inteligente, fizemos muitos testes em campo, mas nunca chegamos a falar, de fato, com o usuário. Acabamos tirando deles algo que eles adoravam... ## Suas d

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