Product Arena

Product Arena

Smartglasses vão ser a próxima grande categoria? Ray-Ban Meta, Orion e Vision Pro em debate

Nina Talks, Arthur Castro e Aíquis Rodrigues debatem Ray-Ban Meta, Orion e Apple Vision Pro: uso real, engenharia, preço e o que muda para quem trabalha com produto.

Por Arthur Castro

![Papo na Arena #54, com Nina Talks](https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2cbb7c8b-3f21-429c-aff7-7135565c80c8_1080x1080.jpeg) Poucas semanas depois do evento anual da Meta — que trouxe atualizações do Ray-Ban Meta e a revelação inesperada do **Orion** —, sentamos com **Karina Tronkos**, mais conhecida como [Nina Talks](http://instagram.com/ninatalks), para tentar responder a uma pergunta que já dura mais de uma década: smartglasses vão ser a próxima grande categoria? Nina é TEDx Speaker, cinco vezes vencedora do Scholarship da Apple, Apple Professional Learning Specialist e LinkedIn Top Voice. Formou-se em computação, migrou para experiência do usuário e hoje atua mais na área de educação, com mais de 100 mil seguidores no Instagram. > Comecei a criar conteúdo cinco anos e meio atrás, quando tudo era mato, com a ideia de documentar a minha jornada e ajudar as pessoas a entender como é trabalhar na área de tecnologia. Comecei com programação, fui para design, me encontrei na comunicação e hoje estou mais na parte de educação. ## Ray-Ban Meta: o produto que surpreendeu A expectativa era de uma V3 no evento. Não veio — saíram atualizações de software. Mas a conversa mostrou algo mais interessante: o produto atual já entrou na rotina de quem usa. **Nina:** > Realmente sou uma feliz usuária, e posso dizer que foi um produto que me surpreendeu. Achei que ele iria ser bom, e ele é melhor do que eu esperava — em relação à integração com o aplicativo e à qualidade do som. Acho que foi o que mais me surpreendeu. Consigo estar ouvindo uma ligação ou música e ele não obstrui o que estou ouvindo do ambiente. Não é condução óssea: é um alto-falante em cima do seu ouvido, e é muito claro. Ela destaca também os modelos de interação — aumentar o som, atender com um toque, arrastar para frente e para trás — e o preço, mais acessível que o dos óculos de realidade virtual. E aponta um uso que costuma passar batido: > Acho muito legal como recurso de acessibilidade. Vi vídeos da Meta com pessoas com deficiência visual andando na rua, no mercado, colocando o produto na frente e pedindo para ler a tabela nutricional. É legal a gente pensar com essas outras perspectivas — não só sobre o nosso uso, mas sobre outras pessoas que podem ter as suas experiências potencializadas por esses dispositivos. Na época, a IA integrada ainda estava indisponível no Brasil, e o jeito de contornar era desinstalar o app, ativar VPN e reinstalar. O uso que mais se consolidou na rotina, para os dois usuários da mesa, foi o áudio. Arthur não lembra a última vez que correu com fone de ouvido. Nina relata algo parecido: > Para exercício ao ar livre eu achei incrível. Fui ao parque com uma amiga, a gente andou de bicicleta e eu conseguia gravar ela andando sem me machucar, porque não estava com apenas uma mão no guidão. Colocava para gravar, ouvia música e conseguia ouvir o ambiente externo. A crítica principal dela era o limite de duração da gravação — que, à época da conversa, já havia subido de 59 segundos para três minutos, novidade que ela ainda não conhecia. Dois detalhes de produto que a mesa elogiou: a **case que também carrega** — o formato em que as pessoas já guardam óculos, com indicador verde para carregado e laranja para carregando — e a **bateria**, que dura bastante e recarrega rápido. Um ponto que limita a adoção: quem não usa óculos de grau tende a tratar o device como gadget pontual, não como item diário. A saída, na prática, foram as versões com lente Transitions, que resolvem o uso em ambiente claro e escuro. ## Orion: o protótipo de US$ 10 mil que empolgou todo mundo O Orion foi a surpresa do evento. É um óculos de realidade aumentada com holografia, em formato muito próximo ao de um óculos tradicional — e, para chegar lá, a Meta precisou miniaturizar toda a tecnologia. **Nina:** > O que mais me impressiona é o ponto de vista de nanotecnologia. A gente vê o Quest, vê o Vision Pro, que é um trambolhão, porque sim, precisa ter uma tela curva. Impressionante, mas ainda tem uma bateria externa pesada. E eles apresentaram um óculos na estrutura de óculos, que eu achava que a gente ia demorar mais para chegar. Sem bateria externa, sem fio saindo. Ainda é muito caro do ponto de vista de produção, mas é viável. **Aíquis** destacou a engenharia: > As lentes não são de vidro. Eles tiveram que criar uma nova tecnologia que permitisse fazer a holografia, tem todos os sensores pegando as coisas, câmeras projetando. Do ponto de vista da engenharia é uma coisa muito foda. Ele também chamou atenção para a **band** de controle: além de eye tracking, como no Vision Pro, o Orion usa uma pulseira que registra o movimento dos músculos da mão — e devolve retorno háptico, algo que o Vision Pro não tem. Há ainda um puck que terceiriza parte do processamento. O custo de produção estimado era de **US$ 10 mil por unidade**, o que explica por que ele foi posicionado como devkit, e não como produto de consumo. E, na visão da mesa, essa foi

Voltar para todos os artigos