Product Arena
Todd Yellin (Netflix): as falhas que levam ao sucesso e a importância de saber quando parar
Depois de 17 anos na Netflix, Todd Yellin sobre o "fracasso de segundo grau", por que aprendemos mais com a falha dos outros e a coragem de matar um projeto.
Por Arthur Castro
Todd Yellin passou 17 anos na Netflix. Isso mesmo que você leu: 17 anos. Com todo esse tempo, você consegue imaginar quantas Netflix ele viveu, quantos produtos viu nascer, morrer e pivotar. Estas são as anotações da palestra dele no Product Leader Summit 2024, sobre falhas que levam ao sucesso e a importância de saber quando parar.  Das coisas mais legais da palestra, tiveram várias reflexões sobre como o ego, a racionalização excessiva e a falta de um ambiente seguro para debates podem levar equipes a persistirem em projetos "falidos" por anos, mesmo com sinais claros de que não trarão os resultados esperados. E também sobre o quão importante é ter uma liderança que crie ambientes para tomada de decisões difíceis, como encerrar projetos e demitir funcionários que não se adaptam. ## O "fracasso de segundo grau" O tal do "fracasso de segundo grau" ocorre quando persistimos em um projeto falido mesmo após sinais de fracasso. E normalmente há uma lista de fatores por trás da insistência: - **Ego** e **identificação pessoal** com o projeto dificultam a aceitação do fracasso; - Não aprender com os testes e números do passado, ou seja, toda versão é uma "página em branco"; - Uma estrutura grande para uma aposta que não está nada validada. O tal do começar pequeno: quantas vezes você já viu uma aposta começar com vários times envolvidos, mesmo sem estar nem um pouco provada ou testada? - Não escutar usuários, colegas e por aí vai. Mas, beleza. Um ponto super importante é que: - **"Some big ideas take multiple iterations"** — e claro que isso remete ao ciclo de produto. - É meio óbvio, mas sempre bom lembrar da importância de ter clareza **da métrica de sucesso**. O exemplo que ele deu foi sobre a funcionalidade de comunidade que a Netflix teve por um tempo e que até teve um certo engajamento, mas nada que justificasse ela existir pelo tamanho do time que cuidava dela.  ## A gente aprende mais com a falha dos outros Uma das coisas que mais me marcou da palestra do Todd foi uma pesquisa da [Universidade de Chicago](https://www.researchgate.net/publication/380382827_Learning_from_failure) mostrando que as pessoas tendem a aprender muito **mais com as falhas dos outros do que com as próprias**. Normalmente nosso cérebro "ignora" nossas falhas. Agora, se outra pessoa falha na mesma coisa, ele tende a absorver muito mais. Isso relembra um pouco do livro [Pensar em Apostas](https://amzn.to/4eNXmHh), de Annie Duke, que a gente fez um review em um dos episódios do Papo na Arena: [Ouvir o episódio no Spotify](https://open.spotify.com/episode/41XKPLZSrzPpxISjX7cLeS)  O vídeo abaixo tem o resumo da pesquisa e como ela foi feita: [](https://youtu.be/MJFfx3A3Pf8) ## "Ganhar a batalha, mas perder a guerra" **Stories.** Durante a pandemia, a Netflix lançou um stories no seu app: cortes de 20 a 30 segundos das séries, como dicas do que assistir. Você se lembra do delírio coletivo em que todo app colocou stories? A funcionalidade ajudou a aumentar a métrica de "passar mais tempo assistindo", mas o esforço envolvido — time, tecnologia e tempo — não compensava o aumento da métrica. **Mataram a funcionalidade.** ## Falhas de contratação Todd fez questão de falar também sobre as falhas que rolam nas contratações. Uma das coisas que ele disse, e que eu sempre repito nas mentorias para pessoas em posições de liderança, é: > **O seu produto é seu time.**  Dos pontos que ele listou: - Se você está contratando para o seu time, não dá para delegar o filtro. - É muito importante definir quais pontos fracos você está disposto a aceitar para a vaga. Tão importante quanto saber o que é esperado da vaga é deixar claro o que não é. - Diversidade não é só sobre cor, gênero e nacionalidade: é também sobre estilos — pessoas mais técnicas, mais artísticas. Esse balanço é fundamental para qualquer time em qualquer lugar. Um bom livro e filme sobre isso é [MoneyBall: o homem que mudou o jogo](https://amzn.to/4dvT9r1). ## Coragem para desistir de ideias E para finalizar, ele trouxe alguns outros pontos: - A inovação requer coragem para testar e, quando necessário, **desistir de ideias**. - Criar um ambiente seguro para que as pessoas possam errar e aprender é essencial para a inovação contínua. - Ambientes que não permitem debates abertos e francos dificultam as críticas construtivas. Está tudo bem poder falar para o colega que aquela ideia não parece boa, mas também é importante lembrar do *disagree and commit*. - O custo