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Uber, táxis e destruição criativa: as duas leituras da novela da sharing economy

As duas leituras possíveis da briga entre Uber e táxis — regulação e destruição criativa — e o que ela ensina sobre construir produto em mercado regulado.

Por Arthur Castro

Passeatas. Problemas. Regulamentação. Gente a favor. Deputados e cartéis contra. Artigos (muitos artigos). Polêmicas. Concorrência e mais uma série de coisas nessa longa novela Uber vs. táxis vs. regulamentação. ![](https://cdn-images-1.medium.com/max/2560/1*iO3MxWOvlBKRNHnPwUdp_A.jpeg) No Brasil ou lá fora, o Uber aparece constantemente nas manchetes — seja por ser a startup mais valiosa, por conseguir a regulamentação em alguns locais, como no México, ou simplesmente pela concorrência um pouco desleal com o Lyft, um de seus concorrentes nos EUA. Polêmicas à parte, tecnologias novas sempre sofrem com essas barreiras da negação num primeiro momento. Exemplos não faltam. E, em termos históricos e econômicos, as brigas e espancamentos não são anormais (deixo claro que sou contra a violência): são, na verdade, o último suspiro de um processo conhecido como *destruição criativa*, criado pelo austríaco Joseph Schumpeter. Significa que as organizações, pessoas e governos da "velha ordem" tentam retardar a evolução com atitudes extremas que depois não se sustentam e dão espaço para a inovação. Inovação? Brecha de mercado? Abaixo, duas leituras diferentes sobre o mesmo fenômeno. ## Uber — um caminho sem volta, por Arthur Castro Apesar de no Rio de Janeiro haver praticamente mais táxi do que carro comum, eu uso bastante o Uber. Mas, em algumas ocasiões, preciso usar o táxi convencional e sempre pergunto, tanto para o taxista quanto para o motorista de Uber: "e aí, o que acha desse lance do táxi vs. Uber?". Já teve taxista que disse que estava no processo para entrar no Uber, porque entendeu que assim não ia mais "acordar devendo" as diárias que precisa pagar quando não é dono do táxi. Outros foram extremos, perguntando: *"você deixaria um pedreiro operar seu filho?"* ou *"já tem mafioso usando o Uber para sequestrar pessoas"*, além do blá-blá-blá de *"eles não pagam impostos"* — sendo que os taxistas têm uma série de descontos, inclusive no imposto de renda, e mesmo assim ainda há alta sonegação. A tecnologia assusta, e os confrontos são apenas a evidência do medo da inovação (e da comodidade). Existem os espertos, como os taxistas de Fortaleza, que uniram a regulamentação que já possuem às "melhores práticas" do Uber antes mesmo de ele chegar lá, mantendo o preço atual. Concorrência é ótima para o mercado. Na outra ponta, existem os que deixam claro que são os agentes da destruição criativa, como os taxistas que agrediram o motorista de um deputado que apresentou o projeto contra o Uber. Eles acabam sendo o melhor marketing que o Uber pode ter, seja com notícias como essa, seja com a paralisação dos taxistas em dias de semana, que só aumenta o uso do app (aumentar 5x o número de downloads é muito bom, né?). Isso é só o princípio. Existem infinitas possibilidades para o Uber contribuir na logística: o projeto de entrega, o de passageiros compartilharem as corridas, o de carros autônomos. A regulamentação precisa existir, mas proibir isso é um retrocesso. Seja pedir um Uber, alugar um quarto pelo Airbnb ou assistir a um filme na Netflix, a evolução tecnológica vai contribuir cada vez mais para a mudança do cenário. Quem entender isso vai evoluir junto — como os taxistas de Fortaleza. ## Evolução tecnológica ou apenas um bom serviço em um país desprovido?, por Luiz Amorim Apesar de todo o burburinho gerado pela regulamentação (ou não) do Uber e de outros serviços similares no Brasil e no mundo, a verdade é que o Uber nada mais é do que um excelente serviço em um país desprovido desse padrão de serviço. Quase tudo no Brasil é chato ou complicado, com um serviço que beira a precariedade. Pense por um instante em como é quando você precisa ligar para o banco, trocar uma compra que fez pela internet ou acionar uma assistência técnica. Normalmente são serviços péssimos, que já dão dor de cabeça antes mesmo de você sair de casa. Com o táxi, infelizmente, não é diferente. Chegamos a um ponto em que estava quase insuportável pegar táxi. Não estou generalizando, mas era — e em alguns casos ainda é — normal ver taxistas que correm como se fossem pilotos de Fórmula 1, discutem no trânsito e alguns que nem se dão ao trabalho de cumprimentar o passageiro. Na minha opinião, o Uber não ganhou destaque tão rápido por causa dos sedans elegantes nem por causa do app com ótima experiência de uso. Tudo isso tem seu mérito, mas o ponto principal é o excelente serviço. Agora pense um pouco na experiência que é usar o Uber: você faz tudo pelo aplicativo, os motoristas se vestem socialmente, andam com ar-condicionado e Waze ligados, oferecem água e balinha, perguntam se você quer colocar música via Spotify e não tentam cobrar a mais nas corridas. Todo mundo que já andou de táxi no Brasil sabe que essa não é exatamente a experiência em muitas das corridas. A diferença entre pegar um Uber e um táxi comum, na maioria das vezes, é gritante — mas não pela tecnologia mega revolucionária e inovadora, e sim por um bom serviço em um país carente de s

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