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Uma semana sem internet: o que aprendi ao me desconectar em São Paulo
Uma semana inteira offline, sem sair de São Paulo: o que muda na cabeça de quem trabalha com produto quando o celular fica desligado.
Por Arthur Castro
 > *Se eu consegui ficar sem internet do outro lado do mundo, por que não fazer isso também aqui?* Nos meus 27 anos, eu nunca tinha tirado umas férias decentes. Nunca fiquei mais de dez dias longe do trabalho e, na real, nem dá para desligar direito.  Pois bem: na primeira semana de 2017, no primeiro encontro da galera contando como tinham sido as festividades, recebemos um push e pimba — seis passagens compradas para a Tailândia. Vinte e três dias de férias seriam tirados em novembro. No meio do caminho tivemos uma desistência, depois um integrante novo, outra desistência, e no fim ficamos em cinco. O roteiro foi: > Chiang Mai > Phi Phi Islands > Siem Reap (Camboja) > Bangkok Foi uma viagem bem bacana. Me reconectei com algumas coisas que realmente importam e percebi que o estresse acumulado de anos sem férias estava interferindo até na minha saúde. Mas este texto não é sobre como ficamos desconectados lá. Até porque, assim que chegamos no aeroporto, já compramos um chip. Só que, na última semana de viagem, ficamos sem internet 4G e vivemos só de Wi-Fi. E, por incrível que pareça, foi tudo de boa: visitamos todos os lugares que queríamos sem precisar ter internet o tempo todo — apesar de quase sempre a primeira pergunta nos restaurantes ser qual era a senha do Wi-Fi. E isso gerou um bom questionamento: *Se eu consegui ficar sem internet do outro lado do mundo, por que não fazer isso também aqui?* **Observação: essa tarefa tem um plus de dificuldade, porque eu trabalho com aplicativos e, consequentemente, tenho quase sempre um iOS e um Android no bolso e mexo ~pouco~ neles.** ## E aí?  Basicamente, o setup foi manter a internet desligada — e eu finalmente descobri para que servia aquela anteninha no Control Center. E, para não dizer que evitei ao máximo ficar em ambientes sem Wi-Fi, esse experimento coincidiu com a minha 283287328ª tentativa de ser um pouco menos *fat* e mais *fit* só naquele ano, voltando a pé para casa três vezes na semana. Finalmente fiz valer o investimento do meu fone. E, a cada uma dessas caminhadas desconectadas, escutei um álbum novo. O primeiro dia foi o mais complicado: toda hora que estava na rua eu pegava o celular para olhar sei lá o quê. Não aconteceu nenhum evento em que alguém precisasse falar comigo com muita urgência enquanto eu estava sem internet. Conversando com algumas pessoas, todas disseram que, se realmente precisassem, teriam me ligado — ou seja, não precisariam da internet do mesmo jeito. Comentei com alguns amigos sobre o experimento (inclusive foram eles que me ajudaram a não me boicotar). Tentei almoçar com pessoas diferentes e andei bastante. Passei a olhar mais os detalhes das ruas, dos prédios, e até a saborear mais as comidas. Inclusive, acabei de ler um livro que estava enrolando havia no mínimo dois meses. ## As principais considerações - Teve um almoço com seis pessoas em que elas mal pegaram no celular: interagimos, conversamos e demos boas risadas mais que o normal. - Descobri vários lugares legais para comer, tomar um café ou uma cerva no caminho entre trabalho e casa que eu nunca tinha visto — e eles existem há um tempão. - Confesso que saboreei mais as comidas nesses dias, me preocupando menos com a próxima vibrada do celular ou com responder o próximo e-mail. - Contei para algumas pessoas e um dia fui me boicotar (ativar o 4G para pedir um Uber), e meus amiguinhos não permitiram: "*faz direito!*". - São Paulo é bem brilhante. Não sei se coincidiu com o Natal, mas, cara, como essa cidade tem luzes. - Os bares da Vila Olímpia ficam cheios de segunda a segunda. - Quando fui almoçar só com um amigo, ele mexeu no telefone uma vez só. E mesmo assim foi porque eu falei sobre uma coisa e ele foi conferir. - Cara, isso é bizarro: as pessoas andam quilômetros sem olhar para a frente, olhando apenas para a telinha acesa nas mãos. Tipo um Walking Dead digital. - Minha avó perguntou se estava tudo bem, porque eu estava meio sumido e "*as mensagens tão demorando a dar 2 ~tiks~*". - Saí algumas vezes sem o celular e não morri. - A gente tem tanta coisa interessante para fazer sem necessariamente precisar de um celular ou estar conectado. Eu sei, na internet também tem aqueles vídeos de gatos super engraçados. Resumindo: se desconectar um pouco às vezes é a melhor maneira de se conectar com o que realmente interessa.