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A velocidade do Facebook: como a rede do Zuck aprendeu a antecipar a próxima onda

Copiar, comprar ou construir: como o Facebook virou uma máquina de antecipar tendências e o que times de produto podem tirar disso.

Por Arthur Castro

Não me lembro ao certo a data e o evento (talvez no lançamento do Graph Search), mas há alguns anos Zuckerberg disse que o Facebook seria a "internet dentro da internet". De lá para cá, muita coisa mudou, mas a ideia fica cada vez mais evidente: um lugar onde você busca e vê tudo — notícias dos assuntos que gosta, novidades e fotos dos amigos, anúncios, gifs, vídeo, transações bancárias e até um assistente pessoal —, sem precisar sair da rede. ![HÁ! Sabe qual a próxima feature vou lançar?](https://cdn-images-1.medium.com/max/1200/1*OhisVb2aIeQV3FBaLoVmIw.jpeg) ## Um(a) namorado(a) ciumento(a) (e rico[a]) ![Ai desculpa esbarrei sem querer…](https://cdn-images-1.medium.com/max/800/1*Zee17IL7ZGI_AIUf5sdtuQ.gif) Passa mês, entra mês, mudanças e novas features na rede do Zuck deixam claro que o *feice* é tipo a(o) namorada(o) ciumenta(o) que não quer te "dividir" com ninguém: quanto mais tem sua atenção, melhor. Nem que para isso precise imitar os concorrentes. Só para dar alguns exemplos: - vídeos curtos no Instagram depois do sucesso do Vine; - hashtags com sucesso mais que comprovado no Twitter; - vídeos, sugestões e anúncios como no YouTube. E quer saber? Essa é uma das coisas que eu mais admiro no Facebook: ele não tem problema nenhum em copiar e aprimorar — e, se for preciso, comprar. Instagram, Oculus Rift e WhatsApp, só para citar algumas das grandes aquisições. Por essas e outras que o Facebook vale mais de US$ 300 bilhões (e subindo). ## Pensando na próxima onda Com todo o conhecimento (e as informações, e as empresas) adquiridos desde 2004 — sim, uma empresa que não tem 15 anos vale mais que praticamente toda a bolsa junta —, prever as próximas tendências fica mais "fácil". E a cada F8, a Facebook Developer Conference, fica claro como eles realmente usam as informações orientadas ao próximo passo. Quando anunciou a compra do Instagram, o Facebook falou do "boom" de fotos que viria a seguir (hoje, mais de 40 bilhões de fotos já foram compartilhadas). Depois, com a compra do WhatsApp e a separação do Messenger como plataforma, consolidou a fase dos chats. Ligou o alerta para as transações informais que acontecem via Facebook e Instagram com os pequenos negócios, incluindo a possibilidade de transferências de pequenos valores pelo Messenger. E, nos últimos meses, lançou uma série de iniciativas relacionadas a vídeos, que serão o conteúdo mais consumido nos próximos anos. Surfando na onda dos ad blocks, anunciou o Instant Articles, que carrega antes mesmo de você pensar nele (e que experiência boa!). E em 11 de novembro de 2015 anunciou o **Notify**, uma espécie de central de notificações com feed dos assuntos e das fontes que você tem interesse. > - Compra do Instagram (antes da explosão das fotos); > - Compra do WhatsApp / Messenger como plataforma (consolidando o boom dos chats); > - Vídeos postados nativos com mais relevância do que os com link do YouTube (next bubble: vídeos!); > - Payments in Messenger (na onda do SnapCash, Apple Pay, Android Pay); > - Oculus Rift, Instant Articles e Notify… E, claro, já está montando a estrutura para as próximas bolhas: *deep learning* e realidade virtual. Caso você ainda não tenha visto, saiba que o Facebook quer lançar uma espécie de "teletransporte", utilizando realidade virtual, até 2025. ## Sem medo e com muita velocidade Seja com o Facebook Creative Labs, comprando outras empresas ou fazendo os próprios funcionários passarem pelas situações que os usuários enfrentam no dia a dia — como a "2G Tuesdays", um dia em que todo o escritório fica com seus devices simulando a conexão como é na Índia, ou ainda fazer seus funcionários trocarem iOS por Android —, o Facebook segue transformando seu produto com base nas informações que acumula a cada dia, mantendo uma velocidade indiscutível. Além de sempre fazer o dever de casa com a concorrência. Apesar de ser o básico — afinal, é para isso que qualquer site implementa o Google Analytics ou outro analytics da vida: analisar e trabalhar as informações acumuladas —, o Facebook segue dando uma aula em como usar essas informações, seja criando novas features, oferecendo mais segmentações aos seus clientes ou se antecipando às próximas ondas. Nota 300 (bilhões) para Zuck e sua trupe.

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